A rede portuguesa de auto-estradas: motivo de orgulho? (7) / Palavras ditas (17)

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(continuação) (clique aqui para ver a sexta parte)

Todos concordariam que uma auto-estrada de quatro faixas em cada sentido entre duas aldeias com cerca de 20 habitantes e apenas dez automóveis seria um total absurdo.

Mas quando é que se justifica construir uma auto-estrada em vez de uma estrada “simples” (com uma só via em cada sentido)? E quando é que se justifica construir auto-estradas com três ou mais faixas de rodagem em cada sentido de trânsito?

Tem-se entendido que em vias onde o tráfego médio diário (TMD) previsto não ultrapasse os 10 mil veículos, não se justifica construir uma auto-estrada, devendo antes optar-se por uma estrada, que será suficiente para as necessidades de utilização.

A auto-estrada A6 (Marateca-Elvas-fronteira), com cerca de 160 quilómetros de extensão, é uma das auto-estradas portuguesas com tráfego bastante reduzido. Em cada um dos três primeiros meses de 2010 [últimos dados disponíveis] registou, em média, valores de TMD entre os 4 000 e os 5 000 veículos. A auto-estrada não tem um único troço que atinja um TMD de 10 000 veículos e entre Évora e a fronteira com Espanha (num total de 100 km: a maior parte da auto-estrada!) os valores são mesmo absurdamente baixos - na casa dos dois/três mil veículos por dia.

A auto-estrada A7 (Póvoa de Varzim-Vila Pouca de Aguiar), com 100 quilómetros de extensão, é outra das auto-estradas que regista TMD inferiores a 10 mil veículos – embora neste caso haja que fazer uma distinção:

- entre Póvoa de Varzim e Famalicão (23 km) e entre Selho e Vila Pouca de Aguiar (57 km), tudo num total de 80 km (80% da auto-estrada), o TMD está abaixo dos 10 mil veículos (e entre Fafe e Vila Pouca de Aguiar anda mesmo na casa dos cinco/seis mil veículos);

- no pequeno troço de 20 km entre Famalicão e Selho (20% da auto-estrada), a A7 tem características mais urbanas e regista TMD entre os 15 mil e os 20 mil veículos.

A auto-estrada A10 (Bucelas-Carregado-Benavente), com cerca de 40 quilómetros de extensão, apresenta valores de TMD na casa dos cinco/seis mil veículos. Esta auto-estrada – uma das mais disparatadas do país – tem, para cúmulo do absurdo, três faixas de rodagem em cada sentido, o que apenas deveria suceder se o TMD excedesse os 35 mil veículos! O troço entre Benavente e a A13 apresenta, por regra, valores ridiculamente baixos, que raramente chegam aos 2 000 veículos diários.
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A A10, uma das mais sérias candidatas a auto-estrada mais absurda do país: três faixas em cada sentido para um tráfego que nem sequer uma auto-estrada justificava.

A auto-estrada A13, entre Almeirim e a Marateca, com cerca de 80 quilómetros de extensão, constituiu mais um exemplo de esbanjamento de recursos públicos, tendo, no primeiro trimestre de 2010, registado valores de TMD na casa dos três mil veículos (regularmente distribuídos ao longo dos seus 80 quilómetros). O mês de Agosto de 2009 foi o único mês do ano em que o TMD rondou os 10 mil veículos.

A auto-estrada A14, entre Coimbra e Figueira da Foz, com 40 quilómetros de extensão, foi outra das auto-estradas que se revelou um desperdício de dinheiros públicos, registando valores de TMD na ordem dos quatro mil veículos.

A auto-estrada A15, entre Santarém e as Caldas da Rainha e também com 40 quilómetros de extensão, é outra das auto-estradas cujo volume de tráfego claramente não justificava a sua construção: raramente ultrapassa valores de TMD na casa dos quatro/cinco mil veículos.

A longa auto-estrada A23 (Torres Novas-Guarda), com 217 quilómetros de extensão, é outra das auto-estradas que nos primeiros três meses de 2010 registou TMD inferiores a 10 mil veículos. Em 2009, andou na casa dos oito/nove/dez mil veículos. Os valores de TMD mais baixos são, curiosamente, os do derradeiro troço (da Covilhã até à A25), normalmente na ordem dos seis/sete/oito mil veículos, contrariando a ideia feita de que esta auto-estrada é importante por causa do tráfego de e com destino à fronteira. Existe, de qualquer modo, uma particularidade: esta auto-estrada foi, até aqui, gratuita e vai passar a ter portagens, sendo, por isso, previsível que o TMD venha a decrescer.

A também longa (162 km de extensão) auto-estrada A24 (Viseu-Chaves) regista valores de TMD muito abaixo dos 10 mil veículos (na casa dos cinco/seis mil veículos, em regra), provando ter sido mais uma auto-estrada sem volume de tráfego que a justificasse. Com a introdução das portagens muito em breve, é previsível que o volume de tráfego desça e o absurdo da construção desta auto-estrada se acentue.

Nestas oito vias estão cerca de 840 km de auto-estrada: cerca de um terço da rede atual.


Há depois algumas auto-estradas que registam valores de TMD a rondar o valor de referência de 10 mil veículos – umas vezes acima, outras abaixo.

Entre elas está a auto-estrada A11, entre Apúlia (Esposende) e Castelões (Penafiel), com uma extensão de 80 km. Esta auto-estrada só tem dois troços com TMD superior a 10 mil veículos: Braga-Selho (Guimarães) e Felgueiras-Lousada, num total de cerca de 30 km. Ou seja, quase dois terços desta auto-estrada têm valores de tráfego que a tornavam desnecessária.

Este é também o caso da auto-estrada A27 (Viana-Ponte de Lima), com 24 quilómetros de extensão, em que o TMD está normalmente mais abaixo dos 10 mil veículos do que acima desse valor. Com a agravante de que esta auto-estrada vai passar a ter portagens, sendo previsível uma diminuição do volume de tráfego.

A longa A25 (Aveiro-Vilar Formoso), com 200 quilómetros de extensão, é outra das auto-estradas até aqui sem portagens, com um TMD que pouco ultrapassa os 10 mil veículos, pelo que, com a introdução das portagens, não será surpreendente se o TMD descer abaixo desse valor. Diga-se, aliás, que a média atual decorre, em parte, do elevado TMD no troço de cerca de 30 km entre Aveiro e Albergaria – mais um caso de utilização marcadamente urbana, cujos números de tráfego (que chegam quase aos 50 mil veículos) vão seguramente diminuir muito com a introdução de portagens. Por outro lado, ao contrário do que muitas vezes é dito, o tráfego de e com destino à fronteira é reduzido, registando valores na casa dos seis/sete/oito mil veículos. E tudo isto antes da inauguração do importante Ramal ferroviário do Porto de Aveiro (final de Março de 2010), que, segundo as previsões, ia retirar cerca de 30 mil camiões por ano desta auto-estrada.

A partir das imediações de Viana do Castelo até ao fim da auto-estrada nas proximidades de Vilar de Mouros, a auto-estrada A28 apresenta sempre valores de TMD inferiores a 10 mil veículos (chegam a ser na casa dos cinco/seis mil veículos). O que, de resto, não surpreende: a A28 é a segunda auto-estrada entre Porto e Caminha.

A sua concorrente – a auto-estrada A3 – apresenta valores ainda mais baixos de Braga até à fronteira (Valença), ou seja, na maior parte desta auto-estrada: os valores de TMD são inferiores a 10 mil veículos (frequentemente na casa dos cinco/seis/sete mil).

O último troço da auto-estrada A8 (entre Leiria e a A17) regista valores de TMD na ordem dos cinco/seis/sete mil veículos.

Mesmo a auto-estrada A2 regista, a partir de Grândola e até ao seu termo no Algarve, valores inferiores a 10 mil veículos de TMD (quase sempre na ordem dos seis/sete mil), o mesmo sucedendo, de resto, com a auto-estrada entre Portimão e Lagos (A22), esta até aqui gratuita. Em ambos os casos há, no entanto, a particularidade de os níveis de tráfego serem superiores durante o Verão, principalmente em Agosto (muito superiores, neste caso: entre os 15 mil e os 28 mil veículos).


Refira-se que não existem dados de TMD para algumas das muitas auto-estradas portuguesas, bem como para alguns troços de auto-estrada (por exemplo, os troços atualmente sem portagem da controversa A17), sendo de suspeitar que algumas delas terão valores inferiores a 10 mil veículos por dia.

Por outro lado, em algumas auto-estradas o TMD só atingirá valores superiores a 10 mil veículos porque nos respetivos corredores houve um claro desinvestimento na ferrovia e se deixaram linhas férreas sem qualquer possibilidade de competir com a auto-estrada (este assunto será retomado adiante).

Num país já bem apetrechado de auto-estradas, é natural que em cada nova auto-estrada que se projeta os valores de TMD sejam baixos. Por exemplo, há cerca de um ano falámos aqui da decisão de construir uma auto-estrada entre Abrantes e Ponte de Sor, embora para ela se previsse um TMD de apenas 5 655 veículos! As estimativas de tráfego para a auto-estrada entre Amarante, Bragança e a fronteira (Quintanilha) apontavam para cerca de 10 mil veículos entre Amarante e Vila Real, cerca de 13 mil veículos entre Vila Real e Bragança e entre cinco mil e nove mil a partir de Bragança, mas, além de as estimativas serem frequentemente otimistas, estas em particular foram feitas numa altura em que se previa que esta auto-estrada não teria portagens e sem ter em conta a futura (mais do que certa) subida do preço do petróleo: é muito provável que estejamos perante mais uma auto-estrada que não terá volume de tráfego que a justifique. A auto-estrada Sines-Beja será outro exemplo. E mais se poderiam citar.

Em termos financeiros, não são apenas os avultadíssimos recursos financeiros que se desbaratam numa auto-estrada sem tráfego que a justifique. Estão também em causa os avultados prejuízos futuros (para o Estado, para todos nós) decorrentes dos reduzidos níveis de tráfego. Para citar um exemplo, relativamente à chamada auto-estrada transmontana (Vila Real – Bragança), a Estradas de Portugal prevê que as receitas de portagens e a taxa de gestão de contrato não serão, nos próximos 30 anos, suficientes para cobrir os pagamentos a fazer à subconcessionária da auto-estrada, designadamente a remuneração por disponibilidade e por serviço. Corrigimos: “não serão suficientes” é dizer pouco: aquelas receitas cobrirão apenas cerca de 8% destas despesas. É evidente que as estradas não têm de dar lucro ao Estado. No caso das auto-estradas estamos, porém, a jogar com números muito mais elevados.

Mas entre as auto-estradas portuguesas mais "discutíveis" estão também algumas que se situam no extremo oposto – isto é, que registam elevados valores de TMD. É sobre elas que falaremos a seguir.

Joana Ortigão

(continua)


Palavras ditas (17)

"Hoje temos muitos casos de auto-estradas que foram alargadas e já estão abaixo dos níveis [de tráfego] que obrigaram ao seu alargamento. Na A1, por exemplo, na zona a norte de Estarreja".

João Bento, Presidente da Associação Portuguesa das Sociedades Concessionárias de Auto-estradas e Pontes com Portagens e administrador da Brisa, Outubro de 2010.

35 comentários:

Anónimo disse...

Tinha a noção do abusdo da A6 e da A24, mas não sabia que havia tanta auto-estrada com tão pouco tráfego!
Uma dúvida: quando se fala em TMD da uma auto-estrada, significa que é o tráfego total da mesma, ou é uma espécie de média de cada troço?

Hugo

Anónimo disse...

Já consultei o relatório onde (provavelmente) foste buscar estes dados. Eles chamam-lhe TMD ponderado. Será uma média ponderada do TMD de cada troço, provavelmente.

Joana disse...

É uma coisa que está a falhar neste artigo: a indicação das fontes. É uma quebra de um compromisso nosso. Vamos corrigi-la, nem que seja depois de concluído este artigo. O relatório está AQUI.

O TMD (tráfego médio diário) indicado por auto-estrada é uma média mensal aplicada a toda a auto-estrada, uma média ponderada de todos os troços. Se bem percebi, é uma média ponderada porque a auto-estrada é, para o efeito, dividida em "troços" e "subtroços" e a média apresentada é a média dos troços e não a dos subtroços. Por exemplo, na A1, o percurso entre Alverca e o nó da A10 é contado como um só troço, apesar de, na realidade, englobar três troços de auto-estrada: Alverca-Vila Franca II, Vila Franca II - Vila Franca I e Vila Franca I - Nó da A10.

De qualquer modo, fui ver os dados relativos a cada auto-estrada, onde estão os números parcelares de todos os (verdadeiros) troços.

É de notar que em certos casos o volume de tráfego inferior a 10 mil veículos se pode explicar pela existência de outras alternativas em auto-estrada. Por exemplo, os últimos troços da A3 e da A28 têm valores inferiores a 10 mil, mas quem sabe se só existisse uma destas auto-estradas ela não apresentaria valores superiores ao valor mínimo aceitável (?).

Rui Rocha disse...

No caso da A3 e A28, a A27 serviria bem de alternativa aos ultimos km da A28 que apenas serivram para destruir montanha, paisagem e castros.

Para além de ser toda a subir e a descer não serve nem as populações de Caminha nem de Vila Praia de Ancora. Uma EN13 com obras bem feitas teria resolvido o problema muito bem...se é que havia um problema..

Anónimo disse...

Já agora, para ser picuinhas, não são «3 faixas por sentido», são «3 vias por sentido». Faixas são duas, uma em cada sentido.

Joana disse...

Anónimo das 15:35, é verdade e eu tenho consciência disso. "Tecnicamente", são essas as noções corretas (podemos encontrá-las, por exemplo, no Código da Estrada). Eu utilizo sempre o termo "faixa de rodagem" no sentido com que normalmente é utilizado (ainda que incorretamente), para o texto ficar mais claro. Portanto, o correto é "três vias de trânsito em cada sentido" e não "três faixas de rodagem". Ora aqui está um exemplo de como é possível encontrar muitos erros de português neste blogue!

Confesso é que estava à espera de mais contestação a esta parte do artigo, especialmente por parte daqueles que têm aqui escrito que Portugal não tem excesso de auto-estradas. E não que se discutisse língua portuguesa!

Anónimo disse...

há mas isso arranja-se! que tenho eu a ver com os critérios internacionais que as autoestradas é só para mais de 10.000 carros? eu não vivo no estranjeiro, vivo em portugal! então agora não podiamos fazer autoestradas só por causa dessa regra estrangeira não? como argumento isso é muito mau.

Anónimo disse...

"que tenho eu a ver com os critérios internacionais que as autoestradas é só para mais de 10.000 carros? "

A regra é a utilizada em Portugal, não no «estranjeiro» seja lá onde isso for. Está explicada por exemplo nas normas técnicas da antiga Junta Autónoma de Estradas.

Eduardo disse...

E tem uma explicação lógica, que a Joana tentou fazer ver logo no primeiro parágrafo deste post. Se você tiver numa estrada um tráfego de 10 veículos/dia, basta uma estrada de uma via e zonas alargadas para os carros se poderem cruzarem. Se quiser gastar mais dinheiro inutilmente, pode construir uma estrada com uma via em cada sentido. Mas já está a desperdiçar dinheiro. Se o tráfego for de 5 mil veículos, ou de 9 mil veículos, como quiser, continua a ser mais do que suficiente uma via em cada sentido: construir uma estrada com 2x2 vias é um desperdício de dinheiros públicos. Só quando tem um tráfego um pouco mais intenso, com mais de 10.000 veículos/dia, é que se passa a justificar duas vias. Mas nem aí é obrigatório fazer uma auto-estrada.

Anónimo disse...

não percebi nada

Anónimo disse...

"não percebi nada "

Se nao consegue perceber isto entao isso nao abona muito a seu favor..

Anónimo disse...

"não percebi nada "

Se nao consegue perceber isto entao isso nao abona muito a seu favor..

Pedro disse...

"A longa A25 (Aveiro-Vilar Formoso), com 200 quilómetros de extensão, é outra das auto-estradas até aqui sem portagens, com um TMD que pouco ultrapassa os 10 mil veículos, pelo que, com a introdução das portagens, não será surpreendente se o TMD descer abaixo desse valor. Diga-se, aliás, que a média atual decorre, em parte, do elevado TMD no troço de cerca de 30 km entre Aveiro e Albergaria – mais um caso de utilização marcadamente urbana, cujos números de tráfego (que chegam quase aos 50 mil veículos) vão seguramente diminuir muito com a introdução de portagens. Por outro lado, ao contrário do que muitas vezes é dito, o tráfego de e com destino à fronteira é reduzido, registando valores na casa dos seis/sete/oito mil veículos. E tudo isto antes da inauguração do importante Ramal ferroviário do Porto de Aveiro (final de Março de 2010), que, segundo as previsões, ia retirar cerca de 30 mil camiões por ano desta auto-estrada."


Joana, e sem contar que a ligação a Vilar Formoso por ferrovia desde Aveiro não é num traçado próximo ao da A 25... O que seria uma ideia, e quem sabe, até Viseu podia ser contemplada com uma estação ferroviária...

Temos pena disse...

Nada como ripar (leia-se dar gás) numa auto-estrada com 2 faixas e tráfego zero, embora para fazer certas curvas demasiado apertadas (coisas de engenheiros ingleses) a 200 km/h (média, não instantânea) dá mais jeitinho as 3 faixas!

Anónimo disse...

"Temos pena disse... "

Se por acaso fizesse isso eu nao teria pena nenhuma quando se espetasse contra uma parede e fosse fazer tijolo.

200 km/h é coisa de betinho disse...

Ainda bem que não há paredes nas referidas, e belas, auto-estradas

Anónimo disse...

"não há paredes nas referidas"

E parece que tambem nao ha metaforas no seu mundo (no meu nao ha acentos). Mas por acaso a A29 ali para os lados de tem zonas em que tem paredes dos 2 lados (e com 5 faixas para cada lado).

CBR1500rrGTurbi 4x4 disse...

5 faixas???
O paraiso!

Anónimo disse...

E termina com um slalom ate a ponte do Freixo (+4 faixas para cada lado).
Uma maravilha!

Com lágrimas nos olhos disse...

Yep

Anónimo disse...

Se quando a noção de felicidade de uma pessoa é andar a acelerar numa estrada, é evidente que essa mesma pessoa tem uma perspectiva de vida muito limitada. tss tss.

Easy Rider disse...

You will never know!

Jorge disse...

Este post toca na ferida e é aqui que se calhar encontra mais resistência por parte dos automobilistas. Sim temos AE a mais, mas quando toca a casos concretos, reconhecer que a "nossa" AE é daquelas que nunca devia ter existido, tá queto! Infelizmente não acredito que isto convença nibnguém porque as pessoas pensam primeiro nos seus interesses. Se perguntr lá em Benavente se estão contentes por agora terem duas AE, se calhar respondem que sim, que dão muito jeito. E essas duas AE estão às moscas, foram uma imbecilidade.

Anónimo disse...

Já agora, para quem estiver interessado em alguns números, aqui ficam duas imagens esclarecedoras:

http://i731.photobucket.com/albums/ww312/fred_lycan/lista_1.png

http://i731.photobucket.com/albums/ww312/fred_lycan/lista_2.png

Como todos podem ver é o TGV que nos vai levar à falência. O facto de desde 2007 já se terem adjudicado quase 5.000 milhões de euros de novas estradas é um pormenor.

Anónimo disse...

Caro anónimo, qual é a fonte?

Anónimo disse...

Nessa lista sem fonte só estão os custos iniciais: isso é batota. E há muitos outros custos, por exemplo associados ao uso e abuso da mobilidade individual. O TGV é um transporte público. As auto-estradas servem principalmente a mobilidade individual.

Anónimo disse...

"Caro anónimo, qual é a fonte?"

Tribunal de Contas. Relatório de 2010 sobre as PPP.

Anónimo disse...

Notícia do Público ontem, sobre as Parcerias PP:
"Entre Abril e Junho deste ano foram contratados investimentos de mais 2775 milhões de euros em PPP, com a principal fatia a ser absorvida pelo projecto de alta velocidade entre Poceirão e Caia (1339 milhões) e pela subsconcessão rodoviária Pinhal Interior (958 milhões).
O sector rodoviário tem sido aquele que mais investimento tem mobilizado - e despesas também. A factura das Estradas de Portugal vai agravar-se significativamente em 2014, altura em que termina o período de carência das novas subconcessões. A primeira factura a surgir será de 771 milhões de euros, e vai somar-se a outros 700 milhões que terão de continuar a ser pagos, para as concessões SCUT. Em 2015, as subconcessões custam 880 milhões e em 2016 custam 960 milhões.
Ou seja, a partir de 2014, a Estradas de Portugal terá encargos a rondar os 1700 milhões de euros por ano. E, apesar do seu investimento não entrar como despesa no Orçamento de Estado, a EP continua a consolidar no perímetro da dívida e do défice público".

Anónimo disse...

" Nessa lista sem fonte só estão os custos iniciais: isso é batota. E há muitos outros custos, por exemplo associados ao uso e abuso da mobilidade individual. O TGV é um transporte público. As auto-estradas servem principalmente a mobilidade individual.
"

E que tal aprender a ler, não?
O conceito de ironia diz-lhe alguma coisa?

Anónimo disse...

OK, peço desculpa então :)
É que já estou um bocado farto da conversa de que é o TGV que nos vai afundar, quando é uma migalha comparada com o buraco das AE. E é o TGV que todos atacam!

Anónimo disse...

"É que já estou um bocado farto da conversa de que é o TGV que nos vai afundar, quando é uma migalha comparada com o buraco das AE. E é o TGV que todos atacam! "

Exactamente! Daí eu ter escrito aquilo...

TGV disse...

Vou vos afundar a todos, bem lá para o fundo onde anda o Tridente e mais o outro (a vantagem dos submarinos é que se pode dizer que temos dois (ou melhor, compramos 2) e que o outro está submerso).
E depois vou obrigar toda gente que queria ir a Madrid andar no meu lombinho (quem quiser ficar pelo meio que vá de Tridente... ou a pé)

Luís Lavoura disse...

Excelente post. Infelizmente só se menciona nele uma única vez o facto de que o custo do petróleo vai aumentar. Não talvez amanhã, mas certamente irá aumentar muito ao longo dos próximos 10 ou 20 anos. O que vai tornar financeiramente insustentável para muita gente a utilização do carro.

João Pimentel Ferreira disse...

E que tal um posto a falar da gritante dicotomia entre a Linha Ferroviária do Oeste, que data do séc. XIX e a A8. Da gare do Oriente a Alcobaça de comboio são mais de 4 horas, com paragem nas Caldas da Rainha para transfega de meia-hora. Já a A8 tem muitos troços 2x3, praticamente... vazios. É uma boa pista para a malta do tunning da Nazaré se divertir com os dinheiros públicos.

João Pimentel Ferreira disse...

E porque muito já foi dito, tudo isto lembra-me esta excelente ironia.