O comboio para Coruche apita outra vez


A Linha de Vendas Novas, entre Setil (Linha do Norte) e Vendas Novas (Linha do Alentejo), foi uma das linhas férreas que não escapou à febre de encerramentos à exploração do final dos anos 80 e princípios dos anos 90, tendo sido fechada ao tráfego de passageiros em 1/1/1990 (tendo por ela continuado a circular apenas os comboios de mercadorias).
Um caso raro na nossa terrinha: há exactamente 3 meses (8/9/2009), foi reaberta a exploração do serviço ferroviário de passageiros no troço entre Setil e Coruche, permitindo de novo as deslocações de comboio entre Coruche, Cartaxo, Salvaterra de Magos e Lisboa. Isso não se deveu à CP, mas ao esforço das autarquias daqueles três municípios, que se dispuseram a assumir parte do défice de exploração do serviço ferroviário, mediante protocolo celebrado com a CP, nos termos do qual, durante um período experimental de 3 anos, a CP assume 50% do prejuízo da exploração e as três autarquias os outros 50% (16,66% cada).

Neste momento, há cinco ligações por dia entre Coruche e Setil (excepto ao domingo). Uma vez que as estações de Coruche, Cartaxo e Salvaterra estão um pouco afastadas dos respectivos centros urbanos, a reabertura da exploração implicou também a criação de um serviço de mini-autocarro de ligação entre as estações e os centros daquelas povoações (obrigação que, inexplicavelmente, a autarquia de Salvaterra não tem cumprido!). As coisas feitas com pés e cabeça, portanto.

Nestes primeiros 3 meses, verifica-se que os passageiros são essencialmente jovens e pessoas com mais de 65 anos (o que corresponde, aliás, ao perfil dos utilizadores mais frequentes dos transportes públicos na zona de Lisboa). Os passageiros são, por enquanto, ainda poucos: cerca de mil por semana, o que, segundo a CP, está dentro das expectativas. Os passageiros "são poucos mas andam felizes", segundo notícia hoje publicada no jornal Público (fonte principal deste artigo).

Esta experiência é muito mais importante do que parece à primeira vista. Espera-se que seja bem sucedida. Parabéns às autarquias de Coruche e do Cartaxo, "meios parabéns" à autarquia de Salvaterra (por ainda não ter posto a funcionar o autocarro de ligação às estações).

36 comentários:

MC disse...

"Uma vez que as estações de Coruche, Cartaxo e Salvaterra estão um pouco afastadas dos respectivos centros urbanos"

Isto é um erro que se repete em todo o país e tem séculos. Ultrapassa-me a causa de tamanha estupidez.

Paulo disse...

Viva.

Também espero que a iniciativa tenha sucesso, mas tal só será visível a longo prazo. Espero que as autarquias e a CP tenha paciência até lá e que continuem a empenhar-se na sua promoção e, já agora, que acabem com a aberração de não haver nenhum comboio ao domingo. Por outro, o Governo deveria apostar(e não o tem feito, pelo menos de forma consistente e planeada) numa política que favoreça e incremente o transporte público em detrimento do transporte privado individual.
Quanto ao afastamento das estações ferroviárias às localidades ele é um problema que não é só nosso e que é incompreensivel no caso das cidades mas que se compreende no caso das localidades mais pequenas (é impossível uma rede ferroviária chegar a todo lado e só em localidades de maior dimensão se justifica um "desvio").
Em relação às povoações referidas, a estação de Coruche está mesmo encostadinha ao centro urbano (cerca de 500 metros do centro), portanto não está assim tão afastada; Setil não é a estação que serve a cidade do Cartaxo, que é servida pelo apeadeiro de Santana-Cartaxo que dista cerca de 3 km; Salvaterra de Magos essa sim é um caso paradigmático de centro urbano afastado da via-férrea, pois está a 10km da estação de Marinhais e 12 da estação de Muge. Se esta linha tivesse sido construída a partir da Azambuja e daí enveredasse para Leste certamente que este problema não se poria em relação a Salvaterra de Magos.

Paulo Fonseca

Dario Silva disse...

"Isto é um erro que se repete em todo o país e tem séculos. Ultrapassa-me a causa de tamanha estupidez."

MC,

Duas notas breves sobre a localização de algumas estações, nomeadamente as citadas.

- Cartaxo: a vila fica localiza-se muito fora do enfiamento da Linha do Norte/Leste cuja construção pretendia - e bem - ligar Lisboa a Espanha e Porto. Portanto, que sentido teria feito em meados do séc. XIX desviar por terreno difícil uma via férrea estruturante para servir um vilório que teria dois ou três mil habitantes, se tanto?
Se assim se tivesse procedido (procurar servir todos os lugarejos próximos), a Linha do Norte seria tão útil como as Curvas de Murça…

- Coruche e Salvaterra: o núcleo urbano de Coruche fica "afastado" da estação que se localiza em terreno propício à sua instalação, terreno plano, acessível, espaço disponível para cargas e descargas; Salvaterra fica manifestamente fora do eixo Setil-Vendas Novas. Convém não esquecer que a Linha de Vendas Novas foi construída com o intuito claro de ligar ferroviariamente o Norte ao Sul atravessando o Tejo onde as condições fossem as mais vantajosas.

Daí, Paulo, a derivação da Linha do Norte ter surgido no Setil e não na Azambuja. E se a linha nova tivesse nascido na Azambuja em direcção a Salvaterra, Coruche teria ficado de fora, a menos que andássemos ali às voltinhas para tentar servir todas as casas de todos os habitantes e esquecéssemos completamente a intenção inicial de ligar o Norte ao Sul, tudo isto numa altura em que mal havia estradas, quanto menos auto-estradas, quanto menos ainda.. pressa de chegar.

Nota: admito, foi pena o ramal de "Portalegre-Cidade" nunca ter passado de projecto. Chamar Portalegre àquela estação… podiam-lhe ter chamado Barcelos!

mc disse...

Dário e Paulo,

o meu comentário era um pouco mais lato, não pensava nestas localidades em concreto - que como explica e bem o Dário, não tinham grandes hipóteses.

Penso é em tudo o que é cidade. Descontando Faro e Aveiro, não estou a ver mais nenhuma cidade portuguesa que tenha a sua estação com mais ligações no centro (em total contraste com o resto dos países europeus).

Joana disse...

MC, só para referir as capitais de distrito, o comboio em Viana do Castelo pára muito próximo do centro. Em Braga, também. Em Vila Real, pára ainda dentro da cidade. Em Coimbra, o maior afastamento do centro é compensado por muitas ligações entre Coimbra-B e o centro. Em Castelo Branco, pára muito próximo do centro. Em Setúbal, pára no centro. Em Évora, Beja e Guarda, dificilmente poderiam parar mais perto (por causa do relevo dos centros destas cidades). Das capitais de distrito, os maus exemplos são Santarém, Leiria e, principalmente, Portalegre (acho que não me estou a esquecer de nenhuma: Viseu e Bragança já não têm comboio...).

Seja como for, estas são as capitais de distrito. Temos, de facto, um problema de afastamento das estações relativamente aos centros de muitas cidades e vilas. Se no século XIX não se justificava fazer melhor, hoje, quando a rodovia chega a todo o lado, é muito diferente. Não se pode transformar as linhas férreas em comboios da Feira Popular ou em Montanhas Russas, mas em muitos casos os traçados podiam ter sido corrigidos sem qualquer prejuízo para os tempos de percurso. Gastam-se rios de dinheiro a corrigir traçados de estradas, mas, que eu me recorde, não houve um único caso em que se tenha corrigido o traçado de uma linha férrea para a fazer chegar mais próximo do centro de uma cidade...

Anónimo disse...

Em Barcelos também não pára propriamente longe (10-15 minutos a pé, tanto com em Braga)
Na Póvoa e em Vila do Conde também parava no centro quando era comboio (agora que é metro pára nos mesmos sítios).
Na Trofa também é quase central, em Guimarães idem aspas.
No Porto a estação com mais ligações não é no centro, mas também era complicado, o túnel de S. Bento já está congestionado só com os urbanos a ir até lá (e a estação de S. Bento não pode ser ampliada porque é monumento nacional, nem a ligação directa metro - estação deixaram fazer. Para resolver o problema só fazendo uma ligação e estação totalmente novas) e o bilhete dos que param em Campanhã dá para ir até S. Bento (são só 5 minutos, e às vezes existem 4 ou 5 comboios por hora, tem é o transtorno do transbordo)
Lembrei-me de mais uma, em Mirandela também é no centro!

Joana disse...

Não referi os casos de Porto e Lisboa porque estão bem servidas de transportes públicos, metro incluído. De qualquer modo, em ambos os casos o comboio chega ao centro, pois, no caso do Porto, as ligações à estação de S. Bento são frequentes.

mc disse...

Joana e anónimo,
fui um bocado precipitado e pensei apenas nos casos que conheço bem. Mas insisto com mais cuidado:

1. Lisboa, Porto, Coimbra, Santarém e Leiria têm a estação com mais ligações bem fora do centro. A estação mais central em Setúbal apenas tem os comboios locais.
Como a Joana diz, Portugal tem infra-estruturas rodoviárias do melhor na Europa, tudo construído nos últimos 25 anos. Nunca houve dinheiro para corrigir estes afastamento do comboio.
No Porto, quando se fez a ponte do príncipe, porque não se aproveitou para meter o comboio por ali e levar a São Bento? Em Lisboa porque não se colocou a estação central em entrecampos ou rego?
Neste momento está a ser construído um gigantesco túnel sobre a Serra do Marão para o automóvel, num local onde já existe uma auto-estrada paralela a 20km. Fundos não parecem faltar.

2. E eu insisto na estação com mais ligações por não aceito o argumento de haver boas ligações. Ir ter a São Bento ou a Sta Apolónia é mais uma espera, mais um incómodo, mais uma ligação que se pode perder. Basta ver agora no Metro em Lisboa a vantagem que trouxe a ligação da linha vermelha à verde e azul, para perceber que o número de ligações que se tem que fazer conta e muito na escolha de transporte.

Se as auto-estradas passassem a 20km de Lisboa ou Porto seria o fim do mundo.. Mas seriam apenas mais 15 minutos por uma estrada nacional, e sem ligação. Mas ninguém aceitaria.


3. Joana, vai haver um ajuste num traçado, em Santarém. Mas a estação vai ser igualmente longe do centro.

mc disse...

Já agora,

no menos um carro, o original, tenho uma posta pendente há meses para contar a história de Antuérpia. A rede ferroviária era exactamente igual à do Porto, e foi construído recentemente um túnel de modo a que todos os comboios parassem no São Bento lá do sítio.

Joana disse...

Olá MC,

Precisamente: a correcção de traçado em Santarém não é feita para aproximar a estação do centro da cidade. Correcção de traçados tem havido (não muitas, mas tem havido: basicamente, na Linha do Norte e na Linha do Sul). Para aproximar as estações das populações é que não me lembro de um único caso...

Quanto ao resto, eu acho que tu é que tens razão. Nos tempos que correm, parece que já me contento com pouco. Se já temos um país cheio de auto-estradas e vias rápidas, porque é que não podemos exigir um grande investimento na ferrovia?

Dito isto, quanto ao Porto, não são só os suburbanos que vão até São Bento. Os regionais de longo curso da Linha do Minho e da Linha do Douro também têm como última estação a de São Bento.
Mas, de facto, os restantes (internacionais, inter-regionais, intercidades e alfas) de e com destino ao Porto têm como última estação a Campanhã, embora quase todos tenham uma ligação imediata a S. Bento (além do metro). Imagino que esses não vão a S. Bento por esse troço estar completamente saturado. Era uma questão de investimento...
Depois, há os comboios que apenas passam pelo Porto (alfa lisboa-braga, por exemplo). Para esses, não faria sentido o desvio de ida-e-volta a S. Bento. Para passarem no centro, teria, pois, de fazer-se uma nova ligação a partir de Gaia.

No caso de Lisboa, quase todos os comboios de longo curso terminam em Santa Apolónia [salvo erro, com as únicas excepções dos comboios de Beja e Évora e da Linha do Oeste, por utilizarem a Via de Cintura Interna e a Ponte 25 de Abril). Lisboa já teve como principal estação a do Rossio, mas a de Santa Apolónia também está bem perto do centro e tem estação de metro. Se levasses os comboios ao Rossio, a maior parte das pessoas continuaria a ter de apanhar o metro (estação dos Restauradores). Assim, apanham o metro em Santa Apolónia, três estações de metro antes, na mesma linha.
Mas sim, concordo que Entrecampos/Rego hoje seria mais central, tendo em conta a distribuição populacional actual da cidade.

Quanto a Coimbra, a maioria dos comboios são de passagem. Aí, talvez fosse mais fácil (menos caro) fazê-los passar pela actual estação central de Coimbra.

Miguel disse...

A Ponte é do Infante, não é do Princípe... ;)
Como eu já disse (o anónimo era eu, deu-me a preguiça para meter o nome), na estação de S. Bento era impossível fazer o que disseste porque aquilo é monumento nacional (já se destruiu um monumento nacional - o convento de s. bento - para fazer aquela estação, não convém agora estraga-la) e nem uma ligação entre a estação de metro e a de comboio foi permitido fazer, o que configuraria o único interface de jeito entre o metro e o comboio nas redondezas (em campanhã há um túnel entre as duas estações que está fechado obrigando as pessoas a ir à rua. Em General Torres, o tecto da estação de comboio fica mesmo debaixo da estação de metro e foi preparado para se meterem lá elevadores, mas não os meteram e as pessoas têm que dar uma volta do caraças para mudarem do comboio para o metro. Em 2014 haverá outro interface entre a linha de S. Mamede do metro e a linha de Leixões da CP na zona do Hospital de S. João, vamos lá ver como ficará). Além do mais naquele zona da cidade é muito difícil meter lá mais um túnel devido a hidrografia da zona, porque passa lá por baixo um rio importante (o Rio da Vila, ou coisa parecida) e já para meter o metro foi o cabo dos trabalhos sem por em risco a estabilidade das estruturas das redondezas.
Claro que o ideal era ter todos os comboios a ir ao centro da cidade, mas no Porto só com uma nova estação, o que seria complicado pois dificilmente haveria sítio para meter a estação e canal para levar o comboio até lá (chegou-se a falar do TGV ir pela Boavista em vez de Campanhã, mas agora o local onde iria ser essa hipotética estação junto à Casa da Música - onde antigamente estava a estação terminal da linha da Póvoa - vai ter a estação de metro da futura linha circular do metro do Porto. E em Campanhã vamos ter comboio tradicional no rés-do-chão, TGV no -1 e metro no -2...lol)

Miguel disse...

Joana, existe também umas razões práticas para os Alfas e Intercidades que terminam no Porto vindos do Sul não irem a São Bento: o motorista teria que sair do comboio em Campanhã e ir para a outra ponta porque o sentido da marcha Campanhã-S. Bento é o contrário do sentido Gaia-Campanhã. A outra razão é que acho que os comboios da CP longo curso são demasiados compridos para o cais de S. Bento (pelo menos os alfas tenho quase a certeza que são).
Comboios da linha do Minho em S. Bento?! Quais?!

Miguel disse...

Queria obviamente dizer «existeM também umas razões práticas»
E esqueci-me de dizer, que no caso dos urbanos para Aveiro, já se faz aquilo de o maquinista sair do comboio e ir para a máquina na outra ponta.

Joana disse...

Olá Miguel, todos os regionais da Linha do Minho terminam/começam na estação de São Bento. Ver
aqui.

Joana disse...

"Claro que o ideal era ter todos os comboios a ir ao centro da cidade, mas no Porto só com uma nova estação, o que seria complicado pois dificilmente haveria sítio para meter a estação e canal para levar o comboio até lá"

O problema, Miguel, é que para meter uma auto-estrada pelo meio de uma cidade arranja-se sempre sítio, custe o que custar (em dinheiro, saúde e qualidade de vida). Para uma linha de comboio, responde-se logo que não dá, que é impossível ou que seria muito caro...

Miguel disse...

Pois, era esse horário que eu tinha visto (desde aquela discussão no Menos1carro em que eu disse que o comboio pra Viana demorava 4 horas, vou ver antes de dizer alguma coisa de cabeça).
Esses comboios a verde que vão até S. Bento são os Urbanos da CP Porto. Diz lá em baixo «H.MM Horários dos Comboios Urbanos do Porto» (ou então eu tou a ver muito mal isto)

Miguel disse...

No caso específico do centro do Porto (que foi sobre o que eu falei) nunca ouvi dizer de ninguém que quissesse meter lá uma auto-estrada. Muita gente não queria que se metesse o metro e meteu-se (mesmo que tenham morrido uma ou outra velhota nas casas que desabaram pelo caminho). E naquela zona mais central o único sítio que imaginaria possível para uma nova estação (devido às condicionantes que já referi em S. Bento) seria a Trindade, mas para isso teria que se fazer tudo em túnel até lá mas não duvido muita da necessidade de tal investimento (tal como duvido do investimento na grande maioria das auto-estradas, mas não é sobre isso que estamos a falar).
Claro que mais afastado do centro temos a Boavista (que por acaso fica ligeiramente mais afastada do centro - Aliados - do que Campanhã, embora haja muita mais actividade económica nessa zona obviamente) que se chegou a falar para o TGV, mas claro isso obrigaria a nova ponte sobre o Douro (o Adão da Fonseca chegou a fazer um projecto preliminar para um ponte TGV\metro\pedonal) e a construção imediata da linha nova até ao aeroporto e por isso decidiu-se aproveitar a de S. João (que está preparada para alta velocidade e para comboios de 30 em 30 segundos) e a linha entre Campanhã e Braga (que foi renovada em 2004) e meter o TGV por lá (ficando a ligação para o aeroporto para uma eventual 2a fase, lá para 2150, mais século menos século). Se é o mais correcto ou não, não sei (há pelo menos três opiniões distintas entre os especialistas da matéria: fazer o TGV ir pela Boavista, fazer ir por Campanhã, vindo de Gaia ou fazer por ir Campanhã passando ao largo de Gaia par evitar a construção de um túnel sob esta cidade)

Miguel disse...

E por acaso para a cidade do Porto tem-se gasto infinitamente mais dinheiro em ferrovia do que em estradas. Em estradas, em termos de investimentos avultados, construiu-se a Ponte do Infante (14 milhões de euros). Ferrovia temos a rede de metro (2000 milhões ao todo, não sei quanto terá sido gasto dentro da cidade), mais a 2ª fase na próxima década (na cidade temos a linha do campo alegre), a 3ª na década de 20 (linha circular e eventualmente a linha da Boavista) e vamos ter o TGV.
Claro que se alargarmos ao grande Porto, temos muito mais investimento em estradas... (A4 até Matosinhos, renovação da Via Norte, A41, A42, VRI, CREP, etc., etc. - de certeza que me estou a esquecer de alguma...), mas também deveremos ter muita via-férrea (além do metro já existente, este deverá ser alargado para Gondomar - duas linhas, uma já em construção -, Trofa, S. Mamede e 2a linha de Gaia, eléctricos em Gaia), TGV, linha de Leixões com pelo menos duas ligações ao metro (à linha do Campo Alegre e à linha de S. Mamede)

Miguel disse...

Mais via-férrea (desta vez ultra-ligeira) dentro da cidade: eléctrico na Mouzinho da Silveira, a ligar a Rua do Infante a S. Bento, ligando assim toda a rede ainda instalada na cidade (e pensar que já tivemos 250 km de linhas de eléctrico e estamos reduzidos a isto...)

Joana disse...

Linha do Minho: o comboio que chega a S. Bento é o mesmo, mas, para efeitos tarifários (e de utilização de passe), é considerado suburbano desde Nine. Qualquer mudança de comboio é sempre assinalada no horário com uma mudança de coluna.

Porto: claro que não há auto-estradas no centro do Porto (já quase só nos falta isso, termos auto-estradas a atravessar o centro das cidades). Mas nas metrópoles de Lisboa e Porto já se fizeram muitas auto-estradas atravessando zonas densamente habitadas, gastando-se rios de dinheiro. No Porto, a VCI, por exemplo. Com o comboio é sempre muito mais difícil...
O exemplo dado pelo MC, de Antuérpia, é de um túnel até ao centro da cidade. Paris é outro exemplo em que alguns comboios chegam ao centro da cidade em túnel e as estações são subterrâneas. Não é preciso rasgar tudo à superfície...

Miguel disse...

Acho que estás enganada, aqueles horários a verde correspondem exactamente aos da linha de Braga(http://www.cp.pt/StaticFiles/Imagens/PDF/Passageiros/horarios/urbanos_porto_2007/linha_braga.pdf), mas como nunca foi para Viana de comboio não insisto.
No Porto também se vai fazer um túnel enorme a atravessar Gaia e o Porto (este só quando se fizer a extensão para o aeroporto) para meter o TGV e as estações também vão ser subterrâneas nas duas cidades, não é só em Paris...
A VCI estava planeada desde os anos 30, só que nessa altura era uma avenida urbana, depois vieram os pópos e foi o que se viu... mas dentro da cidade felizmente não encontras mais nenhuma estrada com aquele perfil (a não ser a AEP, mas aquilo também é pelo meio da zona industrial, por isso o impacto é menor do que na VCI,e o final da A3 - cerca de 1km)

Joana disse...

Acho que estou mesmo enganada. Nos horários da Linha do Minho, há um traço horizontal a separar os dois comboios. Ou seja, é mais um exemplo extraordinário da CP: um comboio que em vez de ir até ao Porto, acaba o percurso em Nine, para os passageiros se meterem num suburbano até ao Porto. E nós aqui a discutir se o comboio devia ou não ir até ao centro do Porto...

Exceptuando a ponte ferroviária, em ferrovia que investimentos a sério é que se fizeram no Porto?
Se incluires a rede suburbana de metro, é claro que encontras um avultado investimento.
Mas eu estava a falar mesmo de ferrovia (ferrovia pesada). E o problema que estamos a discutir nem se põe em relação aos suburbanos (que vão todos a S. Bento, acho eu), estamos a falar do longo curso.

Dario Silva disse...

MC!

"Descontando Faro e Aveiro, não estou a ver mais nenhuma cidade portuguesa que tenha a sua estação com mais ligações no centro"

Então eu faço-te uma lista de cidades, grandes e pequenas, em que a estação (ou estações) estão localizadas no centro ou, pelo menos, com bons acessos rodoviários.

Começamos pelo Norte. Para confirmar, recomendo uma viagem ao local ou o Google Earth.

- Valença,
- Cerveira,
- Caminha,
-Âncora-Praia
- Viana do Castelo (mais central era impossível)
- Barcelos
Famalicão
Braga (agora com autocarro dedicado para a universidade)
- Trofa (demasiado central, daí a Variante em construção)
- Vizela,
- Guimarães
- Ermesinde
-Paredes
-Régua

Porto (várias)

Espinho
Estarreja
Ovar
Cacia
Aveiro
São João da Madeira
Oliveira de Azeméis
Águeda
Mealhada
Coimbra (4 estações, 3 das quais centrais)
Nelas
Guarda-Gare
Vilar Formoso
Covilhã
Castelo Branco
Fundão
Ródão
Abrantes/Alferrarede
Tomar
Entroncamento (óbvio)
Pombal
Figueira da Foz
Cantanhede
Caldas da Rainha
Óbidos
Torres Vedras
Malveira
Cacém
Amadora
Sintra
Cascais
Oeiras
Algés
Pragal
Pinhal Novo
Évora
Beja
Faro
Lagos
Portimão
Tavira Olhão
VRS António

São apenas algumas das principais estações "centrais", omitindo as do concelho de Lisboa (umas 15), todas elas centrais à excepção de Chelas e Marvila.


Faltam os apeadeiros "centrais"…

Miguel disse...

A ponte de S. João já é de 1992, por isso já é um investimento quase do tempo da outra senhora (ao menos foi uma obra pensada para o futuro, pois vai permitir que nela circule a alta velocidade - embora tenha quer ser algaliada, sim o termo é mesmo este, com um terceiro carril para ter bitola europeia - e quando abriu era a única ponte ferroviária do mundo onde se os comboios descarrilassem não caiam ao rio - como fazem isso não me perguntem).
Ferrovia pesada, arranjarem as linhas para Braga e para Guimarães a tempo do Euro 2004, estando agora electrificadas e a fazer serviço urbano (o grande investimento na minha opinião foi a compra das automotoras 3400 em 2002 que tornaram o serviço suburbano - ou urbano como lhe chama a CP - da CP Porto espectacular, excluindo a linha de Guimarães que podia ter muito melhor serviço, nomeadamente ao nível de horários e frequências).
Em Espinho enterraram o comboio na linha do Norte. Em compensação o troço Ovar-Estarreja é uma miséria completa (é só emoção, com o comboio a tremer por todos os lados)
Leixões foi electrificado já nos anos 90, altura em que acabaram com o serviço de passageiros, que voltaram a meter este ano.
Que me lembre foi isto.
Mas se excluirmos a ferrovia ligeira até podemos dizer que o grande porto sofreu muito desinvestimento, pois duas linhas de ferrovia pesada, Póvoa e Trofa, foram desactivadas... (por isso é que eu também falei na ferrovia ligeira porque está tudo ligado, se não tivesse sido feita a linha amarela do metro do porto já havia canal para meter o comboio pesado - ou uma auto-estrada... - no centro do porto).
Dário: se o Porto só tem duas estações de comboios (S. Bento e Campanhã) como é que tem várias no centro?! É que a da Trindade e da Boavista (as outras duas existiam, se não contarmos com os apeadeiros) agora são do metro...

Dario Silva disse...

Miguel,

"se os comboios descarrilassem não caiam ao rio - como fazem isso não me perguntem)."

Na ponte de S. João, os comboios circulam (a 100 km/h) em cima de carris mas resguardados lateralmente pela própria estruturua da ponte.
É virtualmente impossível um comboio sair daquele meio-cano.

Paulo disse...

Dario

Gostei do teu inventário das estações nas cidades! Mas poderias ter referido mais algumas...eh...eh... Bom, o caso de Portalegre é mesmo o mais "grave", senão único, de cidade média com a estação demasiado afastada.
Quanto à linha de Vendas Novas ter o seu início em Setil e não na Azambuja, eu penso que tal se deve, sobretudo, ao relevo. É que na Azambuja a cota das margens do Tejo é muito baixa, impedindo a implantação de uma ponte ferroviária que atravessasse aí o Tejo. Mas isto é só uma suposição minha!

Paulo Fonseca

Miguel disse...

Joana, lembrei-me de uma coisa sobre isto que disseste ali em cima,: «Quanto a Coimbra, a maioria dos comboios são de passagem. Aí, talvez fosse mais fácil (menos caro) fazê-los passar pela actual estação central de Coimbra.»
Não me parece plausível (exequível era concerteza) porque a ligação entre Coimbra e Coimbra-B de comboio vai deixar de existir, sendo integrada na rede do metro mondego. As obras já começaram... Pro ano que vem já deve encerrar

Joana disse...

Não sabia. E o que te parece a mudança?

Seja como for, e sobre o que escrevi ontem (16:44h), nenhum dos 3 casos que citei - Lisboa, Porto e Coimbra - me parecem graves, porque as estações, embora pudessem ser mais centrais, estão bem servidas de transportes públicos rápidos (ferrovia ligeira e pesada).

Miguel disse...

Para quem usar o metro vindo de outro lado é bom, para quem usava o comboio para entrar em coimbra é mau, porque vai obrigar a um transbordo (segundo o que li 85% das pessoas que iam para coimbra vinham em comboios que paravam naquela estação no meio da cidade e apenas 15% chegavam em comboios de longo-curso que só param em coimbra-B. Foi por ter lido isto que me lembrei que a estação ia encerrar). São menos de dois quilómetros entre as duas estações, por isso acho que se o interface for bem feito (i.e., evitar que se ande muito e de preferência sem ser à chuva) e o preço reduzido não me parece que seja por aí que as pessoas deixem de utilizar o comboio.
No geral o projecto é bom, o ramal da lousã precisa de obras relativamente profundas (acho que foi uma linha daquelas que em mais de 100 anos nunca teve obras substanciais, apenas manutenção «para os comboios não descarrilarem») e dado que se ia fazer a linha Portagem-Hospital em ferrovia ligeira, aproveita-se e cria-se um sistema todo integrado e ligado à ferrovia pesada em Coimbra-B.
E o sistema tem a coisa de bom de ter aprendido com os erros do metro do porto, deste modo na linha Coimbra-B - Serpins (via lousã) vão ser utilizado veículos tram-train (com mais lugares sentados, do mesmo estilo dos novos que vêm para a linha da Póvoa no metro do porto) e na linha que vai do rio até aos hospitais (que abrirá dois anos depois da outra, dado que é totalmente nova e com um troço e uma estação subterrâneos) vão ser utilizados veículos mais «próprios» para meio urbano como os actuais do metro do Porto.
Tendo em conta as características da cidade, com a sua forte população estudantil e dado que não me parece que no centro seja muito fácil andar de automóvel (pelo menos é a noção que tenho das poucas vezes que lá fui) não vejo motivos para que o sistema não seja muito utilizado (embora se fosse eu fazia ali uma derivação depois da linha passar o rio de modo a servir o pólo II da universidade, depois podia haver um comboio directo hospitais e pólo III-pólo II)

Joana disse...

A minha 1.ª reacção foi a de não me chocar. Depois, lembrei-me de haver muitos comboios que de facto têm como última paragem Coimbra-A. Nunca pensei que fossem 85% dos passageiros, mas, se pensarmos bem, faz sentido: o grosso dos passageiros são os que fazem um trajecto suburbano casa-trabalho/escola todos os dias, e esses comboios vão quase todos ao centro.

De qualquer maneira, talvez não seja esse o número mais importante para concluirmos se é ou não uma coisa bem feita. Interessava mais saber: dos passageiros que chegam a Coimbra de comboio (vindos directamente ou com transbordo em Coimbra-B), quantos é que ficam mesmo no centro (sem precisar de apanhar outro transporte) e quantos é que daí vão para sítios que passem a ser servidos pelo metro?
Se para a grande maioria se trata apenas de antecipar uma estação de metro (apanham o metro em Coimbra-B em vez de o apanharem em Coimbra-A), não fará grande diferença.
Se uma parte significativa fica no centro ou apanha o autocarro em Coimbra-A (por exemplo, lá para cima para a universidade antiga), para esses está-se a criar mais um transbordo, o que não é nada positivo.
Espero que tenham feito um estudo prévio para sustentar a alteração... Do que precisamos menos é de desincentivar as pessoas a utilizar os transportes públicos...

Miguel disse...

Pois, esses dados se existem eu não os tenho (no site do metro mondego diz lá que foram feitos estudos de procura, por isso suponho que existam).
Mas tendo em conta que a maioria dos serviços\universidades\escolas\hospitais\etc. não se encontra junta a coimbra-A, duvido que a maioria das pessoas que lá chegam fiquem por lá. A linha nova que se vai meter pela cidade adentro vai passar em muitos desses sítios, incluindo a universidade velha (a estação parece-me que fica na parte de baixo das escadas monumentais, os esquemas que tem no site nem o nome das ruas têm...), os hospitais, celas e o pólo III. Também resta saber se existirão serviços coimbra-B - Hospitais, senão é mais um transbordo para quem chegar à cidade de comboio pesado e quiser ir para essa zona.

Miguel disse...

Descobri uma imagem (http://www.metromondego.pt/Portals/0/n%C2%BA%20de%20circula%C3%A7%C3%B5es.jpg), com os trajectos previstos para o metro mondego (bem como as frequências na hora de ponta da manhã -HPM), pelo que se confirma que existirão serviços Coimbra-B - Hospitais, e parece-me no geral que quem chega a comboio de coimbra terá um variado leque de destinos, por isso só mesmo quem tenha como destino as imediações de Coimbra-A (que duvido que fosse assim tanta gente) sairá prejudicado em relação ao que se passa actualmente.

Joana disse...

Talvez. Tenho algumas dúvidas. Há muito comércio, hotelaria e restauração na zona da estação de Coimbra-A (o que significa que muita gente trabalha aí). Por outro lado, a ligação actual de Coimbra-B a Coimbra-A é directa. Com o metro, vai haver 3 estações intermédias (Padrão, Açude e Arnado). É inevitável que o tempo de trajecto aumente substancialmente...
(embora a nova solução beneficie a movimentada Avenida Fernão de Magalhães; mas também há alternativas de transporte)

Resta saber também como será a questão da bilhética. Porque actualmente qualquer passageiro com destino a Coimbra-B não tem de pagar a ligação a Coimbra-A...

Esperemos que saibam bem o que estão a fazer. Eu sei que devia dar o benefício da dúvida, mas como se fazem tantos disparates neste país em matéria de transportes...

Joana disse...

Dario, nessa lista de estações há muito lugar que não é cidade. Também há muitas estações que servem vilas, que ficam distantes dessas vilas (o que também acontece, aliás, com cidades).

E a questão mais importante, parece-me a mim, não é se as estações mais afastadas têm ou não "bons acessos rodoviários" (bons acessos rodoviários não faltam neste país...), mas sim se têm transportes de ligação sempre que chega ou parte um comboio. E aí...

Anónimo disse...

Hoje constatei no Google Reader que a oposição da CDU em Coruche pretende que se encerre a linha de Vendas Novas à circulação de passageiros. Quase que não acredito, pois os comunistas sempre apoiaram as ferrovias entrea as populações. Se isso é verdade, então para que fazem tanto barulho por terem encerrado a linha do Alentejo (Évora e Beja) à circulação de dos comboios Intercidades e Regionais? E a CP e a Refer não afirmaram que era definitivo. Apenas disseram que era uma suspensão de serviço para a melhoria das vias a fim de ser efectuado o serviço internacional de mercadorias...
Se quem deseja o fim do serviço de passageiros na linha de Coruche se afirma COMUNISTA, então que vá dar banho ao cão...! É por isso que cada vez têm menos aderencia no painel político nacional.
Um COMUNISTA A SÉRIO, e que defende todo e qualquer património ferroviário deste país.
MMC

SudEx disse...

http://nrg78.tumblr.com/post/116711685467/e-depois-ha-a-trofa-a-ferroviaria-trofa-a-trofa