Carta de um automobilista indignado


Carta de um indignado automobilista ao ACP:

“Sou morador há 55 anos na Rua Diogo Bernardes, mesmo em frente à Praça Andrade Caminha, no Bairro de S. Miguel, em Lisboa. Recentemente, já passava do meio-dia, quando estacionei o meu carro na referida praça, sobre o passeio, por não ter lugar nas proximidades e ter que sair uma hora mais tarde para uma consulta médica. Poucos minutos depois, um vizinho veio avisar-me de que estava um reboque para retirar o meu carro para depósito! Porque vivo num bairro fechado, só com trânsito local e sem qualquer movimento à hora de almoço, fiquei espantado pelo facto da CML ter entendido remover a minha viatura. O senhor que me multou também estacionou sobre o passeio e quando saí para o hospital ainda lá estava à sombra de uma árvore, possivelmente para justificar o pagamento de horas extraordinárias! O mais curioso é que nesse mesmo instante, na Rua Frei Miguel Contreiras, a cerca de 100 metros, e que dá acesso ao meu bairro, vários veículos estavam estacionados em contravenção e, aí sim, a prejudicar em muito o trânsito que vem da Av. de Roma. Ali por vezes as viaturas param mesmo sobre a passadeira para peões sem que a CML tome qualquer atitude. Isto acontece diariamente e a todas as horas”.

(Revista do ACP, Dezembro de 2009)

O quadro é lindo: um condutor espantado porque foi multado por estacionar em cima do passeio, sem que estivesse a prejudicar o trânsito [ali só havia "trânsito local e sem qualquer movimento à hora de almoço"]; o polícia que o multou também estacionou em cima do passeio, dando um "belíssimo" exemplo; a "preocupação" com os veículos mal estacionados a prejudicar "o trânsito" (esses sim!) numa rua próxima; e o relato de veículos estacionados a toda a hora em cima de passadeiras sem que sejam multados [deve ser por isso que este indignado automobilista achou que também tinha o direito de pôr o carrinho no passeio...]. Tudo isto numa zona muito bem servida de transportes públicos (metro, comboio e autocarros) e com vários parques de estacionamento (públicos e privados).

É a nossa terrinha.

Anteontem foi noticiado que os atropelamentos mortais nas cidades portuguesas aumentaram 30% este ano, em relação a 2008.

(a fotografia - do Bairro de S. Miguel - foi "roubada" ao blogue Passeio Livre)

105 comentários:

Paulo Jorge disse...

Acho mal. A policia devia era de preocupar-se com protejer os cidadãos em vês de andar á caça de multas aos condutores. Quando nao temos lugares para estacionár, o que é que pudemos fazer? Falar é muito fácil. E o que é que os atropelamentos tem a ver com isto?

Miguel Cabeça disse...

Paulo Jorge,

Neste caso a polícia está a proteger os cidadãos. Está a proteger os peões, os deficientes, os velhos e as crianças que pertencem aos 70% de cidadãos que não podem conduzir e que têm o direito de usar o passeio para circularem da mais básica forma que o ser humano tem para se deslocar: Andar a pé nos passeios.

Quando o senhor (que pertence aos restantes 30% da população portuguesa) não tem lugar para estacionar, procura mais afastado da porta da casa ou repensa as suas opções de mobilidade.

Os atropelamentos mortais nas cidades têm TUDO a ver com a falta de fiscalização das autoridades aos automobilistas que insistem em fazer das ruas das cidades pistas de corridas para chegar o mais depressa possível a casa ou ao trabalho e dos passeios o seu estacionamento, obrigando os peões a circularem nas pistas de corrida.

Cumprimentos

Miguel Cabeça

Quim disse...

"Quando o senhor (que pertence aos restantes 30% da população portuguesa) não tem lugar para estacionar, procura mais afastado da porta da casa ou repensa as suas opções de mobilidade".

Por acaso moro nesta zona. O senhor concerteza não deve de ter filhos, porque se tivesse não dizia a enormidade que disse. Não deve de saber o que é chegar com os filhos a casa e ter de os transportar, mais as compras, mas os papéis do trabalho...

Metam na cabeça, que vocês são jovens e ainda não pensaram muito nas dificuldades da vida: estamos na era do automóvel. Não basta fazerem estradas e auto-estradas, como muito bem fazem, falta arranjarem lugares para as pessoas estacionarem. Não se pode convencer as pessoas a ter carro e depois não lhes dar sítio para estacionar.

Compreendeu?

Paulo Jorge disse...

Bendito e melhor feito! Tam´bêm já fui pai de filhpos pequenos e sei bem o que isso é

Iletrado disse...

Ao Quim e ao Paulo Jorge
Filhos criados e netos gerados. Nunca os meus carros estiveram estacionados em cima do passeio. Porque o artº 49 do CE refere explicitamente que é proibido estacionar nos passeios e nas passadeiras. Qual é a diferença entre conduzir em contra-mão numa qualquer AE e estacionar no passeio? São ambas infracções ao CE. Têm graus de gravidade diferente, por esse motivo têm valores de coima diferentes. Mas essa é a única diferença.
Nem percebo porque razão esse indivíduo se queixou ao ACP: o polícia fez o mesmo que ele, isto é, fez o que lhe deu na gana. Que é exactamente o que fazem a maioria dos engaiolados: fazem o que lhes dá na gana, borrifando-se para os outros.
Boas pedaladas.

Quim disse...

Essa agora é que foi um tiro no pé. Estacionar no passeio alguma vez é comparável a andar em contra-mão na autoestrada? Por amor de deus! Se um carro estiver no passeio, qualquer pessoa se desvia. Não sejam mariquinhas.

Anónimo disse...

ao Quim e ao Paulo...

acordem para a vida! pensem no que dizem! mas pensem a sério e não como quem passa os olhos pelo jornal...

pensem nas reais consequências de estacionar em cima do passeio, se não encontrarem nenhuma pensem mais um bocado!! se, se esforçarem, vão ver que conseguem!!!

não basta falar... também ajuda pensar!

madeinlisboa disse...

Caro Quim, estacionar em cima do passeio é tão ilegal quanto andar em contra-mão numa autoestrada. Ambos estão fora da lei. Se lhe roubarem a carteira e no dia seguinte o carro, vai só reclamar do carro? Afinal foi só a carteira...
E mais, experimente colocar uma venda nos olhos e andar num passeio cheio de carros. Vai ver com é tão "fácil" para um invisual... E lembre-se, um dia você também poderá necessitar de uma passei sem carros, seja pelo que acabei de dizer ou por andar numa cadeira de rodas. Aí vai se arrepender do que disse.

Miguel Cabeça disse...

Sr Quim,

"Por acaso moro nesta zona. O senhor concerteza não deve de ter filhos, porque se tivesse não dizia a enormidade que disse. Não deve de saber o que é chegar com os filhos a casa e ter de os transportar, mais as compras, mas os papéis do trabalho... "

Não tenho filhos não senhor. Mas se os tivesse faria tudo para os tentar educar de forma cívica fornecendo bons exemplos. No caso que referiu provavelmente estacionaria mais longe da porta de casa, nunca em cima do passeio. Depois levaria os meu filhos pela mão até casa em cima dos passeios (provavelmente cheios de carros) enquanto lhes explicaria porque é que não se deve estacionar ali. Se fossem muito pequeninos, provavelmente tiraria o carrinho de bebé da mala do carro e transportaria os filhotes dessa maneira no passeio, tentando desviar dos obstáculos, como o senhor disse. Provavelmente nalguns casos não conseguiria passar e teria de ir para a estrada. Nessa altura, se me restassem energias telefonaria à polícia para vir rebocar os automóveis que me impedissem a passagem e me obrigassem a ir para a estrada.
Depois de chegar a casa com os miudos, voltaria ao carro para ir buscar as compras e os papéis do trabalho.

Mas se calhar esta ideia que tenho mudaria completamente de figura quando tivesse os filhos, mandaria estas noções básicas de civismo às urtigas porque seria óbvio muito mais cómodo estacionar em cima do passeio ao pé de casa para conseguir levar os miudos, as compras e os papéis do trabalho, tudo ao mesmo tempo para casa. Aí, os meus filhotes iriam aprender desde cedo que o nosso conforto individual é muito mais importante do que a consideração pelos que nos rodeiam. Tem razão. Deve ser por eu ser novo. Deixe estar que daqui a uns anos isto passa-me, ficarei moldado pela agruras da vida, e aí também eu olharei para os novos com os mesmos olhos que os seus.

Quanto a lhe terem de arranjar lugar para estacionar, vai me permitir que o dirija para outra troca de ideias que já tive com o senhor Paulo Jorge aqui: http://anossaterrinha.blogspot.com/2009/10/ciclovia-de-albufeira_27.html
Como deve compreender, não faz sentido escrever tudo de novo, quando o assunto é parecido.

Miguel Cabeça

César disse...

Eu tenho filhos pequenos (6 e 2 anos) e nunca estacionei em cima do passeio. A minha filha com 6 anos sempre que vê um carro numa passadeira ou mesmo no meio do passeio fica indignada, tal como fica quando vê alguém a deitar lixo para o chão, etc.

José Manuel disse...

Miguel Cabeça: explique-nos lá essa lógica de não poder haver lugares de estacionamento para todos os possuidores de carro. Não pode haver porquê? Existe alguma lei que o proíba? Explique-nos lá: que justiça pode haver em só existir lugares de estacionamento para alguns? Qual é a lógica? É a lógica do "quem chegar primeiro"? Porque é que uns podem ter lugares de estacionamento e os outros não? O princípio da igualdade diz-lhe alguma coisa?
Se o estado quisesse limitar a posse de automóveis, a venda não seria livre como é. Se eu posso comprar um automóvel, se eu pago ao estado uma carrada de impostos relativos a esse telemóvel (IVA, imposto automóvel, imposto de circulação, imposto sobre os combustíveis...) porque raio não tenho o direito de exigir que o estado crie lugares de estacionamento onde eu possa estacionar o carro pelo qual pago os impostos?
E que história é essa dos "70% de cidadãos que não podem conduzir"? É alguma impossibilidade física? Ou quer-me convencer que só 30% dos portugueses é que têm carro?
E depois... a lenga-lenga do costume dos transportes públicos. Que são uma miséria. Em Lisboa e não só. Se eu quiser ir amanhã a Viseu, como é que faço? Vou de "carreira"?

madeinlisboa disse...

José Manuel, existe uma lei que proibe estacionar em cima do passeio, ou será que é impressão minha? O facto de ter um carro não lhe dá o direito de ter um estacionamento. Se não o sabia, está na hora de deixar de ver futebol e novela, e ganhar um pouco mais de cultura.
Se você adquirir um avião ou um barco, lembre-me lá, mas não tem que pagar para ter onde o deixar?? Deixe-me ver, compro um Cessna e decido estacioná-lo numa auto-estrada, só porque pago impostos. Tenha juízo homem, e desça à terra.

Anónimo disse...

tão limitados pelo automóvelmania...

O ESPAÇO PÚBLICO NAO DEVE SER USADO PARA UTILIZAÇÃO PRIVADA APENAS DE ALGUNS!!!

será que isto não chega?!

enquanto todos os donos de automóveis não começarem a pagar para ter um lugar de estacionamento, nada vai mudar... todos vão querer ter direito ao seu espaço! sem custos é claro!!!

José Manuel disse...

madeinlisboa, quer comparar um bem hoje essencial, como é o automóvel, com bens de luxo como um avião ou um barco? Isso é que é discutir seriamente?

Quanto ao anónimo: se o espaço público "não deve ser usado para utilização privada de apenas alguns", então porque é que há lugares de estacionamento para automóveis em espaço público? Foi engano? Devem ser todos eliminados?
E eu não falei em lugar de estacionamento grátis. Eu não me importo de pagar um pouco para ter lugar de estacionamento.

Anónimo disse...

o automóvel não é um bem essencial! por alguma razão não é taxado a 5% no iva... mas sim a 20%!!!

:P

fora de brincadeiras... a nossa sociedade (Portuguesa, deixemos agora as outras) está viciada no automóvel, pra tudo utiliza o automóvel, pra ir ao café, pra ir trabalhar, pra ir pra praia, etc... mesmo que para isso tenha de estar 2 horas no trânsito!

existem outras soluções, é só procurar...
mas por vezes é mais fácil deixar tudo na mesma (BEM VINDO A PORTUGAL)

O estacionamento não pode ser à vontade do freguês!!! se não qualquer dia eram necessárias 2 cidades, uma para as pessoas e outra pra estacionar os carros! é simplesmente insustentável económica, física e até socialmente...
cada carro ocupa em média uns 6 metros quadrados...
o problema do estacionamento abusivo é que os condutores, simplesmente esquecem que não são os únicos, e os passeios foram feitos para as pessoas! não para estacionar o carro! porque é que os condutores não estacionam na via de trânsito?! simplesmente porque ocupa espaço na estrada e empata o trânsito, então colocam-nos no passeio! ""o peão pode dar a volta..."

claro... digam isso ao sr da cadeira de rodas ou ao invisual... e isto são extremos... basta uma pessoa idosa passear um pouco por Lisboa para se ver em risco de vida! (e acham que é exagero?!?!) sempre que alguém tem de se desviar para a estrada, devido a um automóvel estacionado (ou até os automóveis que tapam a visibilidade nas passadeiras!), coloca-se em risco!

(esta é a principal ligação aos atropelamentos em área urbana que o Paulo não compreendeu!!!)

Anónimo disse...

Nem nunca vão compreender, porque.... o egocêntrismo fala mais alto

madeinlisboa disse...

Em Portugal ainda se considera o carro como bem essencial. Legalmente, NÃO É, mas como levá-lo até ao café da esquina é essencial para a grande maioria, alguém chegou à conclusão que é. Na realidade é um bem tão essencial como o café, tabaco ou vinho, por mais que vos doa.

Dario Silva disse...

Quim,

"(...)dificuldades da vida: estamos na era do automóvel. "

Pois estamos!
Sabe que percentagem dos salários gasta uma família média portuguesa com o seu automóvel?
Custe o que custar, estamos na era do automóvel e não há mesmo nada a fazer, é o nosso fado. Deve ser também por isso que os dinamarqueses, esses pobretanas, gastam metade do petróleo per capita que nós, os tugas, afortunados nós!

É a era do automóvel!

André disse...

A "nossa terrinha" vê-se nestes comentários todos...Acho que muita gente tbm se esquece que esta falta de espaço para estacionar em urbanizações se deve ao belo urbanismo que cá temos tbm de ditos "engenheiros".

E estão espantados por esta?
Então vejam.
Alguém no jornal cá da terra, que tem uma tiragem considerável, resolveu "alugar" um espaço no jornal para reclamar...adivinhem lá? Lugares de estacionamento que foram substituidos por....pois é, baloiços. Baloiços leram bem.
Este senhor diz que 2 baloiços lhe roubaram muito espaço e logo junto a um centro comercial (que em Barcelos significa "edíficio com umas 10 lojas lá dentro")

E eu a pensar que tinha visto de tudo já...

André disse...

*esqueçam o último "tbm" do primeiro parágrafo

Miguel Cabeça disse...

"explique-nos lá essa lógica de não poder haver lugares de estacionamento para todos os possuidores de carro. Não pode haver porquê?"

Não pode haver lugares de estacionamento gratuitos para todos os habitantes em meio urbano porque simplesmente não há espaço disponível para tal. No caso específico de Lisboa a EMEL já emitiu mais dísticos de residentes do que todos os lugares disponíveis. No caso ainda mais específico da minha rua, existem 92 habitações e 35 lugares legais para estacionamento e 15 "lugares" em cima do passeio. Se todos os habitantes desta rua decidirem ter dois carros (como parece que é indispensável hoje em dia) como sugere o senhor que a câmara arranje 184 lugares só para esta rua, fora as outras iguais que formam este bairro?



"Se o estado quisesse limitar a posse de automóveis, a venda não seria livre como é. Se eu posso comprar um automóvel, se eu pago ao estado uma carrada de impostos relativos a esse telemóvel (IVA, imposto automóvel, imposto de circulação, imposto sobre os combustíveis...) porque raio não tenho o direito de exigir que o estado crie lugares de estacionamento onde eu possa estacionar o carro pelo qual pago os impostos?"

Este argumento é válido. De facto o automóvel é taxado com vários impostos, certamente para enriquecer os cofres do estado e nesse sentido tem todo o direito de exigir lugares de estacionamento. Diria eu, ingénuo (por ser novo, lá está), que esses impostos todos servem para cobrir o que custa à sociedade (não a si directamente) o uso do automóvel. Custos de ruído, sujidade de ruas e edifícios, divisão de bairros por auto-estradas, stress provocado pelo trânsito, obesidade do estilo de vida sedentário, custos materiais e emocionais com atropelamentos e acidentes, crianças trancadas em casa porque é perigoso brincar na rua, velhotes que nem conseguem atravessar as passadeiras porque são lentos e o sinal verde só dura 30 segundos, etc.
No meio disto tudo, certamente ainda sobra dinheiro para "arranjar lugares de estacionamento para todos".

"E que história é essa dos "70% de cidadãos que não podem conduzir"? É alguma impossibilidade física? Ou quer-me convencer que só 30% dos portugueses é que têm carro?"

Tem razão, estou desactualizado. Afinal são 40% dos portugueses. Aqui:
http://www.mobilidade.weblx.net/documentos/planos/objectivos/portimao.pdf
Nã página 5, nota de rodapé 2:
"Tendo em conta as estatísticas de transportes da UE, no ano de 2005 a taxa de motorização para Portugal era de 397 veículos de passageiros por 1000 hab, e a média para para os 25 países da UE de 476."

"E depois... a lenga-lenga do costume dos transportes públicos. Que são uma miséria. Em Lisboa e não só. Se eu quiser ir amanhã a Viseu, como é que faço? Vou de "carreira"?"

Escolheu bem a cidade como exemplo porque não há comboio para lá, nem expressos a partir de Lisboa. No entanto, deixe que lhe pergunte: Se amanhã ficar sem o carro (por roubo, acidente, quintuplicação do imposto sobre os combustíveis, impossibilidade de conduzir) e tiver MESMO de ir a Viseu, como fará? Quando existe apenas uma alternativa aceitável para se deslocar e essa alternativa desaparece como é que resolvemos a questão?

Cumprimentos

Miguel Cabeça

Anónimo disse...

Tirem da cabeça que os impostos que os carros pagam servem para pagar a oferta de estacionamento. Os impostos que os carros pagam, não cobrem sequer o que custam à sociedade:

S. Proost and K. van Dender da Universidade de Leuven publicaram em 2001 um estudo na revista Regional Science and Urban Economics sobre o impacto de um automóvel a circular em Bruxelas em hora de ponta. Os custos que são causados nos outros (ou seja a quem não está dentro de esse automóvel) em termos de poluição, congestionamento, acidentes e ruído - as chamadas externalides - é de cerca de 1,895 euros por quilómetro! O valor é ainda ligeiramente maior para automóveis a diesel, devido à emissão de partículas. Para contrabalançar cada automóvel paga apenas 0,12 euros por quilómetro de imposto.
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/38175.html

Quem usa o carro está a dever dinheiro a todos e muitos deles ainda por cima são ingratos e põem em cima do passeio!

Miguel disse...

Também quem diz que os impostos que os carros pagam chegam para pagar todos os custos do automóvel (mesmo tendo em conta só os directos, já para não falar das externalidades) é porque é mesmo muito tapadinho, dado que basta ver a dívida da Estradas de Portugal (a módica quantia de 15.000 milhões de euros, cerca de 1/7 de toda a dívida do Estado Português e mais do que a restante dívida de todo o sector dos transportes junto, incluindo metro do Porto e de Lisboa, Carris, STCP, Refer e CP) para ver que isso não é verdade....
Anónimo das 23:35: não podia indicar o a edição e volume onde esse estudo que refere saiu?! (é só mesmo para não ter o trabalho de andar à procura no google scholar)

Anónimo disse...

Proost S., Van Dender K. (2001), The welfare impacts of various policies to address
air pollution of urban road transport, Regional Science and Urban Economics, 31,
4, 383-412
Reprint in V. McConnell, W. Harrington (eds.), Controlling Automobile Air
Pollution, International Library of Environmental Economics and Policy,
forthcoming 2007

José Manuel disse...

"Não pode haver lugares de estacionamento gratuitos para todos os habitantes em meio urbano porque simplesmente não há espaço disponível para tal."

Eu não disse lugares "gratuitos". E essa de não haver espaço também não pega. Já ouviu falar de parques subterrâneos ou em silo?

"Afinal são 40% dos portugueses". Não. São muito mais do que 40%. Além de esse número já ter quase 5 anos, deixa de lado os milhares de utilizadores de veículos comerciais.

"Tirem da cabeça que os impostos que os carros pagam servem para pagar a oferta de estacionamento. Os impostos que os carros pagam, não cobrem sequer o que custam à sociedade".

Demonstre isso por números concretos. Atirar uns números isolados para o ar não chega. E os impostos que o automóvel paga em Portugal devem ser bem maiores que os da Bélgica. E eu volto a repetir: eu não me importo de pagar um pouco para ter estacionamento. O preço do estacionamento acaba por amortizar o investimento na construção dos lugares de estacionamento. É possível construir estacionamento para todos. Enquanto não o fizerem, sinto-me no direito de estacionar no passeio.

Miguel Cabeça disse...

"Demonstre isso por números concretos. Atirar uns números isolados para o ar não chega. E os impostos que o automóvel paga em Portugal devem ser bem maiores que os da Bélgica."

Os números concretos estão neste estudo científico. É para isso que servem os estudos. Para estudar uma situação, para sabermos mais sobre ela. E neste estudo estão valores concretos em Euros. Não sei o que possa ser mais concreto do que números em Euros. Quando o senhor diz que os impostos que o automóvel paga em Portugal devem ser maiores do que os da Bélgica está a atirar uns números isolados para o ar ou tem números concretos? Gostava de os ler...


"É possível construir estacionamento para todos. Enquanto não o fizerem, sinto-me no direito de estacionar no passeio."

Sendo assim, também me sinto no direito de desejar que, quando o fizer, seja interpelado por um invisual que não consegue passar, que seja insultado por alguém de cadeira de rodas a quem dificulta a vida, e que veja com os seus próprios olhos um automóvel a passar a grande velocidade rente a uma mãe com carrinho de bebé que teve de ir para a estrada para continuar o seu caminho, e uma velhota com sacos de compras que tropeçou nas pedras soltas da calçada (soltas pelo peso dos automóveis) e caiu ao chão. E isto tudo na presença da sua mulher e dos seus filhos.

Não faça isso homem, que incomoda muita gente com problemas muito maiores do que o seu.

Cumprimentos

Miguel Cabeça

José Manuel disse...

Isso é dramatismo a mais. Quantos casos conhece de gente que tenha sido atropelada por haver carros no passeio? Nenhuma, calculo.
Eu volto a dizer outra vez, até que me respondam: não me importo de pagar um pouco para ter estacionamento. O preço do estacionamento acaba por amortizar o investimento na construção dos lugares de estacionamento. É possível construir estacionamento para todos!

Miguel Cabeça disse...

José Manuel,

Se não é indiscrição perguntar, onde é que mora? Se for em Lisboa, uma zona aproximada chega.

Cumprimentos

Miguel Cabeça

Anónimo disse...

Estacionamento para todos! Já! Vamos fazer disto o Holly Grail da nossa vida. Que se lixe o ambiente, as crianças, os espaços verdes, a mobilidade e a cidade. O que interessa é o estacionamento e o nosso popó! Quero lá saber se queimo metade do meu ordenado com o carro, eu quero é levá-lo até à cama e se calhar trocar a minha mulher por ele!
O meu carrinho, snif...

madeinlisboa disse...

Sr. José Manuel está um "pouco" desviado da realidade actual no que toca a acidentes provocados por carros mal estacionados. Eu não me vou dar ao trabalho de procurar estatísticas porque sei que o Miguel vai colocá-las ;) mas se deixar de ver só futebol e o noticiário saloio das Tv's portuguesas, ficará a saber que os atropelamentos dispararam pelos mais variados motivos, e um deles é o estacionamento indevido.

De qualquer forma para pessoas tão sensíveis como você, aconselho-os sempre a colocar uma venda no olhos ou uma cadeirinha de rodas debaixo do rabinho e tentarem andar nos passeios que o senhor e o resto da escória incivilizada que vive neste país tanto respeitam.

José Manuel disse...

Meus amigos, os bens essenciais de hoje não são os mesmos de há 200 anos. Quem é que hoje não considera a electricidade, por exemplo, um bem essencial? O automóvel é actualmente o principal meio de transporte que temos e basta vermos a quantidade de estradas que há e o actual urbanismo das nossas cidades para percebermos isso num instante. Por mais que queiram, vocês não conseguem fugir disto. Respeitem quem quer ter automóvel! Discutam seriamente: "metade do ordenado com o carro"?
Por amor de Deus!
Vocês começaram por dizer que é "impossível" arranjar estacionamento para todos e agora já estão a dizer que o problema é as pessoas terem carro! Em que é que ficamos?
Acreditem que muitos engarrafamentos acontecem na cidade por ser tão difícil estacionar. São milhares de condutores a toda a hora às voltas à procura de lugar.
Sinceramente, não acham que Lisboa precisa de mais lugares de estacionamento? Mas pensem um bocadinho antes de responder. Façam uma visita a Benfica e aos Olivais, por exemplo...

José Manuel disse...

Miguel Cabeça, moro na zona da Praça de Londres. Chega-lhe?

Miguel Cabeça disse...

Chega pois. Ora vamos lá a ver:

Parque subterrâneo da Praça de Londres:

Avença Diurna: 114,05 €
Avença 24 Horas: 138,84 €
Avença Nocturna Residentes: 25,79 €
Avença Nocturna: 59,50€

Parque subterrâneo de Av. Roma

Avenças
Mensal Diurna - 117,02 €
Mensal 24 Horas - 146,28 €
Mensal Nocturna - 69,42 €
ELD - Estac. Longa Duração: 81,82 €
Clássicos (24 Horas 3º Piso): 81,82 €
Avença Nocturna Residentes: 25,79€

Mais informações aqui: http://www.emparque.pt/

Cerca de €25 por mês para estacionar a sua viatura sem problemas, num parque coberto, vigiado, durante a noite para residentes.

Ainda precisa de estacionar em cima do passeio?

Cumprimentos

Miguel Cabeça

Anónimo disse...

José Manuel, enquanto vc estacionar no passeio terei o direito de caminhar sobre o seu carro?

Quim disse...

Ainda não responderam aqui a esta pergunta:
"Explique-nos lá: que justiça pode haver em só existir lugares de estacionamento para alguns? Qual é a lógica? É a lógica do "quem chegar primeiro"? Porque é que uns podem ter lugares de estacionamento e os outros não? O princípio da igualdade diz-lhe alguma coisa?"
Não havendo lugares para todos, quem é que tem direito a ter lugar de estacionamento? Quem é que define isso? E com que critérios? Não devem ser fáceis de arranjar, esses critérios!

madeinlisboa disse...

José Manuel, como o seu carro é um bem essencial, não se esqueça de exigir ao estado os 15% que ele lhe "roubou" no imposto ;) A saúde é um serviço de primeira necessidade, certo? Porque não vai reclamar de assistência de graça?

Não tem onde estacionar? Azar, comprasse casa com estacionamento incluído. Era caro? Azar, não comprasse carro.

Mas deixe-se de demagogias e pare de empurrar o SEU problema para os outros, e acima de tudo, não finja que não tem onde estacionar. O senhor não quer é pagar por isso, e para mim essa uma ilegalidade como roubar.

Nada é de graça neste mundo meu caro senhor, e muito menos aquilo que se baseia em comodismo e não necessidade.

paulo.j.fagundes disse...

Sim isso, respondam là!

madeinlisboa disse...

"Explique-nos lá: que justiça pode haver em só existir lugares de estacionamento para alguns? Qual é a lógica? É a lógica do "quem chegar primeiro"? Porque é que uns podem ter lugares de estacionamento e os outros não? O princípio da igualdade diz-lhe alguma coisa?"

Quando você marcar uma consulta e lhe disserem que nesse dia já não há mais disponíveis e que a próxima terá de ser para daí a um mês, você tb irá questionar porque uns conseguiram para esse dia e você não?? Ou vai dizer que o princípio da igualdade obriga a que tb tenha nesse dia?

O estacionamento livre é algo que é dado pelas autarquias consoante a área disponível (assim como o número de consultas dia), e não significa que são obrigados a disponibilizzar na totalidade, porque esse valor é impossível de escrutinar.

Cabe ao cidadão exemplar e cumpridor de lei, arranjar alternativas pagas (à semelhança do sistema de saúde) para colmatar essas necessidades.

Como vê, a lógica do chegar primeiro aplica-se a qualquer situação da nossa vida: filas, emprego, a rapariga na boite, um concurso, etc... é tudo uma questão de saber ser o primeiro.

Agora exigirem, como uma criança de 3 anos, lugares de graça, nem que seja pela via ilegal, isso para mim é uma covardice e total falta de civismo.

Compreendido, ou terei de fazer outra analogia?

Anónimo disse...

Não percebo o porquê de tanto alarido. O senhor que escreveu esta carta só estacionou no passeio por uma hora. Só uma hora! Será que incomodou assim tanta gente? OU foi multado só porque a polícia não tinha nada para fazer?
TT

Anónimo disse...

Em qq país da Europa mais civilizada só se vendem, repito, vendem, cartões em número correspondente aos lugares disponíveis na via pública. Geralmente este número de cartões nem sequer chega a um lugar por fogo e de qq forma não são vendidos mais do que um cartão por fogo em zonas em que não possam ser satisfeitas as necessidades do primeiro carro (em zonas urbanas, quase nenhumas). Os moradores que não conseguem cartão, ficam em fila de espera quer pode demorar anos, ou arranja estacionamento fora da rua.

Situação perfeitamente normal quando não há espaço. Sr Quim, se vc quiser ter vários pianos de cauda em sua casa vc tb teria que encontrar forma de resolver o seu problema - a sua casa não estica! A cidade também não.

Paulo Jorge disse...

Voc~es que dizem qaue pensam muito nos deficiêntws e assim digam là: e swe este sewnhor da carta por acaso fôr um deficiênte, và respondam! Vai pôr o carro a kilometros de casa? E se fôr um velhinho?

Anónimo disse...

Se for uma pessoa portadora de deficiência terá direito a um cartão e por isso mesmo todas as prioridades para ter um lugar reservado à porta de casa. É correcto e normal que assim seja.

Paulo Jorge disse...

Tá bem, tá. E se fôr um velhinho?

José Manuel disse...

E vocês vêm outra vez falar da falta de espaço (anónimo das 18:14h). É possível criar lugares de estacionamento em silos ou em parques subterrâneos!
Madeinlisboa, a analogia com o serviço de saúde, desculpe lá, não é analogia nenhuma. E se a lógica fosse chegar primeiro, isso não convenceria ninguém a deixar de ter carro, pois teriam sempre a fé de chegar primeiro.
Miguel Cabeça, eu não disse que morava na Praça de Londres, mas nessa zona. Não sou obrigado a revelar aqui onde moro. O parque da Praça de Londres fica longe de minha casa, não serve para mim. O da Avenida de Roma pior ainda. E tem a certeza que os preços são esses? É que eu em minha casa tenho o meu carro, a minha mulher também tem porque também precisa e os meus dois filhos também. O preço de 25 euros não é só para o primeiro carro? E acha que a lotação do parque dá para todos os carros que há na zona? Parece-me que não...

Anónimo disse...

Se for velhinho, ou tem dificuldades de locomoção que lhe confira um grau de incapacidade igual ou superior a 60% tem direito a cartão para estacionar nos locais reservados a deficientes. Caso contrário, andar a pé é o exercício mais aconselhado por qualquer médico para a terceira idade e não só. A OMS aconselha a que todos andemos pelo menos 1/2 hora por dia.

SRT disse...

José Manuel, isso de só ter 4 carros na sua casa é que eu não posso concordar. Devia ter mais um ou dois para quando convidar pessoas para a jantarada lá em casa! Pode ser que precisem. E se calhar está-se a esquecer do cão e do piriquito. Porque na zona da Praça de Londres não estou a ver muito bem onde é que há estações de metro. É a falta de alternativa, lá está!

Anónimo disse...

Pois o José Manuel é daqueles que quer ter 5 pianos de cauda em casa e acha que o problema é nosso para resolver o seu problema. Já lhe expliquei que em cidade nenhuma da Europa há estacionamento para todas as pessoas que queiram. Se disse que mora na zona da Praça de Londres deve estar pelo menos a 10 min a pé do parque de estacionamento. O problema geralmente é que pessoas que estacionam sobre o passeio, não querem pagar pelo parque - isto é, abusam o direito dos outros para não pagar ou porque não querem andar a pé.

Já agora uma pergunta: se houvesse um parque a 5 min de sua casa quanto é que estaria disposto a pagar para não estacionar no passeio?

Quim disse...

Vocês são uns fundamentalistas, é o que eu tenho para vos dizer. Vocês são contra os carros, o que é que eu posso fazer! Mas são uma minoria, felizmente! Pois andem lá a pé pela cidade toda, façam exercício, mas deixe-me andar no meu carro, que tenho mais de 50 anos e tenho muito mais experiência de vida que vocês todos juntos.

Anónimo disse...

Caro Quim sou o anónimo que vc considera um fundamentalista. Tenho 63 anos e tenho carro, mas isso pouco importa. Como tenho carro dificilmente poderá dizer que eu sou contra os carros. Já lhe explicaram que felizmente pessoas com carro são uma minoria - e que as que põem o carro no passeio são uma pequena minoria. Por isso se isto fosse por maiorias estaria mal para si. Mas pouco interessa pois direitos fundamentais não é por voto. O Sr ao por o carro no passeio está a prejudicar e por em perigo muita gente. Não tem nada de fundamentalismo - seria o mesmo que chamar fundamentalista a quem lhe chamar a atenção para não cuspir no chão.

Anónimo disse...

Tinha que vir o argumento do 'eu tenho muita experiência', só faltava vir acompanhado 'vocês não sabem o que é a vida real, andam sempre metido nos computadores e lá sabem o que é trabalhar'.
Se calhar há por aqui por muita gente que pode ter menos de 50 anos mas tem uma coisa que falta ao sr. quim: bom senso e respeito pelos outros (mas isso já tinha que ter aprendido há meio século atrás, a mim os meus pais felizmente ensinaram-mo há pouco mais de duas décadas)

Anónimo disse...

Caro Quim não sei quem é pior, se os "fundamentalistas" que lutam pelo direito do peão ou os covardes incivilizados que se escondem por trás de um carro e se acham donos do mundo.

Miguel Cabeça disse...

José Manuel e Quim.

Eu sei que estas noções que estamos a transmitir, uns de forma mais civilizada, outros de forma um pouco menos civilizada, são novas para vocês. Sei que com os anos que já têm aprenderam muito na vida, viveram muito e lutaram muito por terem aquilo que têm hoje. Também sei que vos venderam durante muitos anos a noção que o direito ao carro é indiscutível e sinal de progresso. E que quem tem carro tem o direito a estacionar à porta de casa e de forma gratuita. Durante anos e anos foi esta a mensagem idílica de progresso e de estar bem na vida que vos foi transmitida em tudo o que é filme, jornal, televisão e revista.

É por isso normal a vossa reacção de espanto quando aparece alguém a dizer o contrário. Que o progresso que vos venderam traz problemas de difícil resolução, que afinal têm de pagar para estacionar e às vezes longe de casa, que há gente que quer andar a pé mesmo nesta era do automóvel e que só arranjam dificuldades para as dificuldades crescentes dos automobilistas.

É também normal que depois de terem sido rebatidos todos os vossos argumentos com outros argumentos válidos se sintam encurralados na culpa de não terem razão nas vossas reivindicações e ataquem com o típico "vocês são uns fundamentalistas".

O que me entristece é que depois de gasto este tempo todo, nosso e vosso, debatido ideias, usado analogias, usado números concretos, os senhores irão continuar com esta ideia:

- É normal e aceitável eu querer ter quatro lugares de estacionamento grátis (ou perto disso) à porta de casa para o meu agregado familiar constituído por quatro pessoas, mesmo no centro de Lisboa, com linhas de Metro e autocarros bem perto. Não me servem dois parques subterrâneos à distância saudável de 5 ou 10 minutos a andar a pé, quero uns mais próximos de minha casa e já agora ainda mais baratos. Como tal vou continuar a estacionar em cima do passeio porque continuo a achar que tenho esse direito.

Para mim é tão claro como água: é um absurdo.
Para vós? mudou alguma coisa? Ou ficou tudo na mesma?



Miguel Cabeça

André disse...

O 5º parágrafo do Miguel deu o final (infeliz) a que isto tudo levou e a que este género de conversas vai continuar a levar por cá.

José Manuel disse...

Quer dizer, para vocês é inaceitável que em minha casa tenhamos 4 carros, um por pessoa, mas se morássemos todos separados já era aceitável cada um ter o seu automóvel? Que lógica é essa?
E não insistam no "estacionamento grátis", porque se lerem os meus comentários verão que não falei em estacionamento grátis. Desde que não seja caro, claro.
Quando eu digo que um carro é para muita gente um bem essencial (um piano de cauda não é, obviamente!) quero dizer que a maior parte de nós depende do trabalho para a nossa subsistência, e precisamos do carro para ir para o trabalho. Vocês falam do automóvel como se fosse um hobby ou um brinquedo.
Andar 5 ou 10 minutos a pé (até ao parque de estacionamento da Praça de Londres) pode parecer muito simples, mas não é. À noite é perigoso e eu acho que nenhum de vocês deixaria a vossa filha fazer esse percurso a pé de madrugada. Isto já para não falar das compras, das bagagens, do cansaço depois de um dia de trabalho. Mas se calhar vocês ainda não trabalham, não sabem como é...
Mas há mais: esse parque só tem 240 lugares. Deve estar sempre cheio, porque há muitos carros na zona. E os tais 25 euros para residentes é só para o primeiro carro. Pagar 140 euros por carro pelos outros 3 carros daria 420 euros... Se querem desincentivar as pessoas de estacionar nos passeios, tem de começar por aí...
Fiquei à espera que me mostrassem as tais "estatísticas" que dizem que há atropelamentos por causa dos carros nos passeios, mas pelos vistos...

Anónimo disse...

Caro José Manuel,

Já lhe explicaram várias vezes que é uma impossibilidade física dar estacionamento a todos os que queiram ,numa zona urbana como a que vive. Repito, não existe nenhuma cidade europeia que consegue satisfazer as necessidades de todos. Existem filas de espera de anos e o estacionamento é pago e muito caro - o que provavelmente significa que nessas condições não há pessoas a pensar que é imprescindível que cada membro da família tenha um carro.

Infelizmente em Portugal não se recolhe estatísticas de forma a convencê-lo mas já percebi que estudos que não correspondem à sua visão do mundo você não os aceita. Basta ter olhos na cara e pensar: obrigar pessoas a ir para o meio dos carros só pode dar maus resultados.

Aconselho-o a ver os inúmeros exemplos clicando no índice "segurança rodoviária" na coluna do lado direito. Encontrará lá muitos exemplos.

Não use o argumento da idade porque, para além de ser irrelevante, se calhar tenho mais idade que você e sou proprietário de um carro, moro em Lisboa e nunca estacionei no passeio.

Anónimo disse...

Caro José Manuel quem tem dinheiro para ter 4 carros, tem concerteza para pagar estacionamento , e caro, ou o senhor é dos que compra o carro e depois não almoça para o sustentar?

José Manuel disse...

Anónimo das 12:59, mas é uma impossibilidade física porquê?
Quanto às cidades europeias, já foi a Paris, por exemplo? É que, pelo que ouvi dizer, por lá há muitos parques de estacionamento só para residentes. Conhece algum cá em Lisboa? Pois, eu também não.
Se vocês já estiveram em Benfica ou nos Olivais, acham mesmo que não é preciso mais lugares de estacionamento?
Quanto aos carros nos passeios, sempre que possível não ponho o carro no passeio. Às vezes tento procurar outro lugar para o meter. Quase sempre em vão. E tento sempre deixar um espacinho para os peões poderem passar, portanto esse argumento que os peões têm de andar na rua não é verdade, pelo menos comigo. Entendido? Quando não se deixa esse espacinho, aí sim concordo com vocês e também condeno. Mas não é o meu caso, nem o da minha mulher, nem o dos meus filhos, a quem ensinei a respeitar os peões.

Anónimo das 14:23: tem de concordar que pagar quase 500 euros por mês por estacionamento é inadmissível. Farto de ser roubado pelo estado estou eu. Já bastam os impostos que pago.

Beatriz disse...

Um espacinho? Obrigada, obrigada, José Manuel.

Anónimo disse...

Caros senhores,

Li com atenção esta troca de ideias e parece-me mais ou menos evidente que a questão não passa por argumentos, factos, dados concretos ou mesmo legislação. O problema é moral, é cívico, de educação, de princípios. À escolha.

Se, numa questão tão simples como a ocupação ilegal de um espaço, é feita a apologia do "sinto-me nesse direito", parece-me que se está perante um caso perdido.

Se os passeios são para os peões, são para os peões. Ponto final. Quem se acha no direito de retirar direitos aos outros, está errado.

É tão simples.

Anónimo disse...

O "espacinho" é fenomenal.

Façam-se passeios com a largura dos ombros e está o assunto resolvido. Se os peões optarem por se mover "à egípcio" quaisquer 20 cm de largura serão suficientes.

Quim disse...

Anónimo (são todos anónimos, vocês) qual é que é o espaço suficiente? Não posso falar pelo José Manuel, mas eu costumo deixar mais ou menos 1 metro de passeio, sempre que é possível. Não me diga que 1 metro não chega para uma pessoa passar. Quanto é que precisa? 20 metros?
Eu também acho mal estacionarem no passeio, mas quando não há alternativa, procuro sempre deixar espaço para as pessoas.

Anónimo disse...

Mas quem lhe diz que os passeios só servem para passar?

E quem lhe dá o direito (que, mais uma vez, se atribui) de "deixar" espaço para os peões?

Volto a repetir, os passeios são dos peões. Para passar, passear, dançar, correr ou brincar.

Só uma reparo: o meu anonimato não é muito diferente do seu "Quim". Se quiser, pode tratar-me por "Zé". Ficamos na mesma, não?

Quim disse...

Eu até compreendo a vossa posição, mas estão a ser radicais. Se conseguirmos estacionar no passeio deixando um espaço para as pessoas passarem, parece-me que é uma maneira equilibrada e sensata de resolver um problema que é inegável que existe e que o poder político não resolveu ainda.

madeinlisboa disse...

Quim que boa ideia! Então não chega um metro de passeio? Vamos fazer uma coisa. Dê-me parte do dinheiro que ganha e fique só com aquele que precisa para passar o mês, ok? Afinal, se não precisa do resto pode muito bem passar sem ele, certo? Que tal?

Senhor José Manuel se acha errado pagar tanto de estacionamento, então não pensou isso no dia em que comprou a sua frota de carros?? Sim, porque eu tb acho que quem tem 4 carros pode muito bem pagar um estacionamento, ou melhor deve, tal a sua abastância... E por favor, não diga isso a um estrangeiro europeu. Ele iria rir na sua cara.

madeinlisboa disse...

E de uma vez por todas: O PODER POLÍTICO NÃO TEM QUE RESOLVER NADA! O estacionamento não é um direito. Vejam se colocam isso na vossa cabeça de uma vez por todas. É um bocado frustrante depois de tanta explicação dada aqui, os velhos do Restelo ainda continuarem a bater na mesma tecla.

Rui Pedro disse...

Espera aí, não tenho tempo de ler estes comentários todos, mas não me digam que há alguém que está aqui a defender a posição deste senhor que resolveu estacionar no passeio e ficou espantado com a multa que levou e ainda se foi queixar ao ACP! Não, pois não?...

Passeio Livre disse...

O problema muitas vezes é que não pensamos em todas as consequências dos nossos actos. Um carro sobre o passeio, estraga a calçada (algumas quedas de idosos podem levar à morte, a maior parte das vezes por consequências indirectas), incomoda invisuais (experimente andar com os olhos fechados uns segundos), põe em perigo crianças (retirando visibilidade), incomoda (impede por exemplo pessoas de conversar lado a lado), etc. E torna um carro sobre o passeio num comportamento socialmente aceitável e sujeito a imitação - já reparou que basta por vezes um carro em cima do passeio, para a situação em toda a rua perder o controlo.

Compreenda que os seus problemas de estacionamento não podem ser resolvidos à custa dos peões.

Passeio Livre

José Manuel disse...

Passeio Livre, eu simpatizo com a vossa causa e compreendo o que dizem. Mas é complicado chegar a casa às vezes às 8 da noite (ou até mais tarde), cansados do trabalho e do trânsito e ainda andarmos às voltas e voltas à procura de lugar para estacionar, que quase nunca existe perto de casa. E quando deixo o carro no passeio geralmente tenho o cuidado de deixar um espacinho para as pessoas passarem. Diga-se também em abono da verdade que por aqui toda a gente estaciona em cima do passeio e as pessoas já estão habituadas e nunca vi ninguém queixar-se. Mas eu sei que não é correcto. Pelo sim pelo não, vou informar-me melhor sobre quanto se paga pelo parque de estacionamento e quantos minutos são do parque a minha casa.

Anónimo disse...

Fico feliz que procure soluções. Sinceramente.

E não compro o argumento do cansaço, do trabalho, das crianças, da noite. Estamos muitos nesse barco. E o meu barco, à custa de abdicar de outras coisas, atraca numa garagem. Sai do pelo, ah pois sai, mas é muiiito confortável, poupa muito tempo, gasolina e, no seu caso, vai dar mais qualidade de vida aos peões. Vai ver que vai achar que é dinheiro bem empregue.
E, se tiver de andar uns minutos a pé, vai reparar com mais atenção no incómodo e no perigo dos carros estacionados nos passeios.

madeinlisboa disse...

Eu tb não compro o argumento do cansaço. Costumava levar o meu filho à escola de bicicleta, mas agora levo de autocarro, graças à "mobilidade" de Cascais. Volto a casa, apanho a bicla e vou até à estação onde apanho o comboio. Cansado? Nope. Sei que contribui para a minha saúde física e monetária e acima de tudo passei valores morais para o meu filho, algo muito importante que é esquecido quando se estaciona um carro no passeio ou se desloca para todo o lado nele, nem que seja 100 metros.

Agora vou ouvir o argumento da idade. Mas tenho 42 anos e mais disposição física e mental que muito jovem (na maioria já obesos ou com colesterol de idoso) que trabalha comigo.

Acima de tudo lembrem-se de passar valores para os filhos e não creio que dar um carro assim que fazem 18 e levá-los para todo o lado dentro de um, seja um bom valor. Necessidade? Chamarei antes comodismo.

Fernando Paulo disse...

O problema de estacionamento em Lisboa é grave a só fico admirado por haver pessoas aqui que o querem desvalorizar. Eu moro nos Olivais Sul e todos os dias não tenho outro remédio se não deixar o carro estacionado no passeio, porque nunca há lugar. Eu e muito mais gente, porque é a única hipótese que temos de estacionar. O bairro dos Olivais foi projectado e construído nos anos 50 e 60, quando ainda não se imaginava que o automóvel iria ter toda esta expansão. Neste meio século, a câmara devia ter providenciado lugares para os moradores e não o fez. A multa da polícia é a pior das soluções e felismente que nos Olivais a polícia não multa nenhum carro que estiver em cima do passeio. É uma questão de compreensão.

madeinlisboa disse...

E pronto, voltámos ao mesmo. É uma perda de tempo, tentar explicar. Sr. Fernando Paulo, quando lhe assaltarem a casa e levarem tudo, não chame a polícia. É tudo uma questão de compreensão em relação a alguém que não tem dinheiro para comer e decide roubar.
É completamente diferente, vai você dizer. Não é. Tanto você como o ladrão, têm algo em comum. Estão ambos a violar a lei. Você porque não tem onde estacionar, o ladrão porque não tem que comer. Que tal? Sente-se bem por fazer parte deste grupo?

Se a polícia não multa, estão a compactar com a trangressão à lei, e por uma atitude idêntica já denunciei a Câmara de Oeiras e a PM ao Provedor de Justiça.

E de novo vou repetir: AS CÂMARAS NÃO SÃO OBRIGADAS A DISPONIBILIZAR LUGARES DE ESTACIONAMENTO. Que tal pedirem à Câmara espaços para os vossos filhos brincarem? Isso não interessa? É mais simples enfiar-lhes um PS na mão. Quando precisa de espaço em casa para um móvel, tb vai exigir à Câmara espaço para ele???

A sério, a vossa atitude egocêntrica enoja-me.

Anónimo disse...

Adoro o "não tem outro remédio estacionado no passeio".
Medicina alternativa:
1. Estacionar na via de tráfego.
2. Alugar uma garagem.
3. Deixar o carro mais longe mas onde exista um lugar legal.
4. Andar de transportes públicos.
5. Mudar de casa.
6. Vender o carro.
7. Convencer-se que os passeios são para os peões e nem lhe passar pela cabeça usá-los para outros fins.

Recorrendo a qualquer uma destas hipóteses revelar-se-ia um cidadão consciente.

Fernando Paulo disse...

Já vi que a tolerância não é o vosso forte.

Quim disse...

Mudar de casa, vender o carro, quem sabe mandar o patrão às urtigas e viver do rendimento mínimo garantido...

Isabel disse...

Caros Quim, Fernando Paulo, José Manuel e Paulo Jorge:

O meu caso já aqui foi contado neste blogue pela Joana:

http://anossaterrinha.blogspot.com/2009/11/o-lugar-no-passeio.html

Até há umas semanas atrás, eu estacionava no passeio. A minha situação era ainda mais grave do que a vossa, porque a minha casa tem garagem e mesmo assim eu deixava o carro no passeio. E onde quer que fôssemos, tínhamos o mesmo mau hábito, se não conseguíssemos lugar para deixar o carro. Chegámos a um ponto em que já não nos questionávamos. Para nós, o passeio era um lugar de estacionamento como qualquer outro. Era "normal" pôr o carro no passeio.
Até ao dia em que a Joana, a autora deste blogue, nos abriu os olhos. Nunca mais estacionámos no passeio, nem perto de casa, nem em nenhum outro lugar. Se tivermos de andar uns minutos a pé para não deixarmos o carro no passeio, andamos. Não custa nada. Custa muito mais a um deficiente em cadeira de rodas, a um cego, a um pai ou uma mãe transportando um bebé com semanas ou meses de idade num carrinho de bebé e a muitos outros peões, não ter passeio onde possam andar sem obstáculos. E se andar uns minutos a pé é um incómodo, é muito maior o incómodo que causamos aos peões, estacionando no passeio para não termos nós esse pequeno incómodo de andar um pouco a pé.

E como falaram aqui muitas vezes de parques de estacionamento, remeto-vos para um post do blogue Passeio Livre onde também muito se falou de parques de estacionamento:

http://passeiolivre.blogspot.com/2009/06/lyon-franca.html

Apesar dos parques de estacionamento, meus caros, os lisboetas continuam a deixar os carros em cima dos passeios. Tal como eu deixava tendo uma garagem onde pôr o carro...

Abram os olhos! Por favor.

Fernando Paulo disse...

Olhe que você, que também tem estacionado no passeio, não tem grande autoridade moral para vir para aqui dizer para "abrirmos os olhos".

Miguel Cabeça disse...

Fernando Paulo,

"Cara Isabel. Estive a ler a entrada do blogue que me indicou e realmente pôs-me a pensar. Há coisas que fazemos por hábito e nem reparamos nelas, sendo preciso chamarem-nos à atenção para os incómodos que causamos. O seu exemplo inspirou-me para ter um pouco mais de atenção no meu estacionamento. Também eu farei esse esforço daqui em diante. Obrigado por partilhar de forma tão sincera a sua experiência.
Fernando Paulo"

Contraste-se esta resposta fantasiada com a resposta real:

"Olhe que você, que também tem estacionado no passeio, não tem grande autoridade moral para vir para aqui dizer para "abrirmos os olhos"."

Indica claramente o tempo gasto na reflexão sobre este assunto.

Cumprimentos

Miguel Cabeça

Anónimo disse...

Não percam o vosso precioso tempo. Burro velho (e inculto) não aprende. Só tenho pena é dos filhos deles.

madeinlisboa disse...

"Mudar de casa, vender o carro, quem sabe mandar o patrão às urtigas e viver do rendimento mínimo garantido..."

Tudo por causa do carro? Caramba homem, você está casado com ele? Se não está, concerteza que o ama mais que a família. É dos que sonha levar o popó para a cama?

Fernando Paulo disse...

Miguel Cabeça, aí tem um ponto, tenho de lhe dar razão. Mas já fui ver o tal post e não vejo onde é que a Isabel é diferente do que eu. Eu nem vejo no post referência nenhuma a uma Isabel, mas presumo que seja sobre ela. O que o post diz é que a Isabel estaciona no passeio, apesar de ter uma garagem. Se eu tivesse uma garagem, não estacionva no passeio!

Anónimo disse...

Oh Fernando Paulo, é diferente porque ela deixou de estacionar no passeio depois de ser alertada para o problema!
E se não tem garagem paciência, pensasse nisso antes de comprar a casa (ou alugar), não pode é esperar que os outros resolvam os seus problemas.

Miguel Cabeça disse...

Fernando Paulo,

O post relata uma situação presenciada por uma das autoras do blogue. Nos *comentários* (que o senhor não leu) a esse post, a amiga da autora do blog (a Isabel) identifica-se como sendo a visada no post. Com grande humildade reconhece que o comportamento que tinha não era o mais correcto e que iria mudá-lo. Recebeu elogios e satisfação de muitos que por lá comentaram. E foi mais longe, fez desta a sua causa também, e tenta com cordialidade e sinceridade mudar outras mentalidades. E o senhor responde:

"Olhe que você, que também tem estacionado no passeio, não tem grande autoridade moral para vir para aqui dizer para "abrirmos os olhos"."

"O que o post diz é que a Isabel estaciona no passeio, apesar de ter uma garagem. Se eu tivesse uma garagem, não estacionva no passeio!"

A Isabel quando comprou casa certamente PAGOU pela sua garagem (ou pensa que foi oferecida pelo construtor?) O senhor se não tem garagem tem o bom remédio de pagar por uma nas imediações. Não use esse argumento. Aliás, não usem mais NENHUM argumento porque não é defensável estacionarem em cima do passeio. Esta discussão já está longa demais, já tem todos os pontos de vistas e mais alguns, desculpa e argumentos.

Cabe a vós, reflectirem, lerem de novo, pensarem duas e três vezes.
Eu fico-me por aqui por achar que não há nada mais a acrescentar a esta discussão. Já foi tudo dito. Agora é parar e pensar.

Cumprimentos

Miguel Cabeça

Fernando Paulo disse...

Sim senhor, isso é que é saber discutir!
Não me pediram para ler os comentários do tal post, mas só o post. Agora já percebi. Mas a verdade é que a Isabel tem garagem e eu não tenho. É verdade que comprei uma casa sem estacionamento, mas isso é passado. O que é que eu posso fazer? Não tenho possibilidade de estacionamento na zona. Não há nenhuma "garagem" que eu possa comprar, não há garagens nos Olivais Sul, não há parques de estacionamento... E em casa temos 2 automóveis para estacionar, e no prédio até somos os que têm menos carros!
Até a próxima!

Anónimo disse...

Azar, caro senhor. Como disse o madeinlisboa, se eu ficar sem emprego, vou começar a roubar. nada como resolver facilmente os meus problemas. e que se lixe, se os outros se prejudicam com isso, o que interessa é o meu umbigo.

Joana disse...

Caro Fernando Paulo, muita paciência teve já o Miguel Cabeça que, mais uma vez de forma brilhante, civilizada e educada, explicou aqui por que razão não se deve estacionar no passeio ou em cima de uma passadeira. Se calhar não se deu ao trabalho de ler os comentários anteriores do Miguel Cabeça, do madeinlisboa, do Passeio Livre e de outros, e nesse caso recomendo-lhe que o faça. Mas faça-o mesmo e PENSE em cada palavra que aqui se escreveu. Tente IMAGINAR as situações que aqui foram relatadas, tentando colocar-se na posição de um idoso com dificuldades de locomoção, de uma criança, de um pai ou de uma mãe com um bebé num carrinho, de um peão com sacos de compras, de um inválido, de um invisual... Faça-o abstraindo-o do SEU problema (de estacionamento) e no fim reflicta sobre os problemas que causa a tanta mais gente ao tentar resolver o SEU problema.

Quanto à Isabel, sou suspeita, porque é minha amiga. A Isabel é um bom exemplo, por ter deixado de estacionar no passeio, o que fazia sistematicamente. Ao contrário do que indicia a sua resposta, a Isabel não deixou de estacionar no passeio só junto à sua casa, onde tem garagem. Deixou de estacionar no passeio onde quer que vá, haja ou não mais dificuldades de estacionamento. Em suma, passou a resolver o SEU problema sem criar problemas para os outros. O que devia ser uma questão de elementar bom senso, mas pelos vistos...

Miguel disse...

Comentário de um indignado automobilista (e também um bocado paranóico) no blogue do passeio livre (http://passeiolivre.blogspot.com/2009/12/aplicaram-um-autocolante-no-seu-carro.html?showComment=1260799009759#c5891273155559737187):

«Hoje,domingo, quando cheguei a casa, pelas 13,30 verifiquei que tinha um autocolante vosso colado no vidro do carro. O carro tinha estado estacionado junto ao TNSC onde não podem passar peões pois que estão no passeio depositadas estruturas metálicas que impedem a passagem de peões. Não documentei fotograficamente a situação pois que só reparei no autocolante quando cheguei a casa.
Comentários:
1)A CML inciou uma guerra contra os lisboetas que têm carro, em determinados bairros, que não tem relação com a resolução do estacionamento e do transito o qual está, dia a dia, mais complicado (ontem, sabado, ás 23,30, o engarrafamento para descer a Av da Liberdade chegava à Rua Alexandre Herculano,sem referir a "vergonha" da solução para o Terreiro do Paço).
2)Aliás a mesma CML que agora "combate" o uso dos carros, fechou, no ano passado a Praça das Flores aos lisboetas, durante 15 dias, para promover a venda de uma marca de carros e fechou a Av. da liberdade durante um fim de semana para fazer demonstrações de corridas de F1
3)Na Travessa do Noronha (praceta) foram bloqueados carros que tinham duas rodas em cima de passeios onde não passa ninguém, repito, ninguém, como se pode verificar.
3)A formação de milicias populares para apoiar actos do poder sempre existiu em poderes sem apoio popular. Tambem a Legião Portuguesa no tempo do Salazar colocava autocolantes e manifestos nos carros assinando como se se tratasse de um grupo espontaneo de cidadãos.
4) Podem informar-me se existem ligações entre este blog e a CML? Os autocolantes custam dinheiro e em tempos de crise gostava de saber quem foi o benemerito que os pagou...
5)Este comentário não é de um anónimo e os autores do blog podem contactar-me através do email c1pcf@netcabo.pt
CPCF»

Anónimo disse...

Quem não desrespeita a lei não tem de se preocupar com nada. Mas quem deixa esse tipo de comentários, concerteza que tem algo a esconder e depois culpa os outros de perseguição. Tristes.

Quim disse...

Fundamentalistas e intolerantes é o que vocês são todos!!

Miguel disse...

Oh Quim, para pessoas que desrepeitem a lei pode ter a certeza que sou «fundamentalista e intolerante» e se você acha isso estranho pode ter a certeza que o problema não está do meu lado.

Miguel disse...

«Desrespeitam» queria eu dizer.

Quim disse...

E já ouviu falar de leis injustas? É que também as há! Se fôssemos a cumprir todas as leis também não podiamos deitar um papelinho no chão, só por ser ilegal.
Metam na cabeça uma coisa: vivemos numa época de crise e há problemas muito mais importantes para resolver que o simples estacionamento!

Miguel disse...

E não pode deitar um papel ao chão. Se o faz revela cada vez mais a sua fantástica educação (fosse ou não ilegal).
Se acha a lei injusta tem bom remédio, reclama com quem de direito. Entretanto paciência, tem que a cumprir.

madeinlisboa disse...

Nada como cultura geral. Afinal atirar papeis para o chão é legal. Assim como é defecar e urinar em via pública, atirar lixo pela janela e rabiscar paredes. Diga-me onde é a sua casa para eu ir fazer nela uma destas actividades "legais", afinal há coisas mais importantes com que nos preocupar-mos.
Provavelmente uma delas seria enviar pessoas com o seu nível de cultura e civismo para uma viagem de barco de ida para o Burkina Faso.
Nessa altura já poderiamos dizer que fazemos parte da Europa. Por agora somos um apêndice podre, graças a vocês.

Quim disse...

Eu não digo que voces são fundamentalistas? Eu não estou a falar em sacos de lixo. Estou a falar em deitar um papel no chão. Um simples papel. Qual é o "grande problema"? Então eu não pago para a câmara limpar as ruas? É que voces esquecem-se que nem sempre há caixotes do lixo à mão. Vou fazer o quê? Andar com o lixo nos bolsos? Eu não defeco na rua nem ando a rabiscar nas paredes. Isso foi um bocado despropositado. E volto a dizer: estamos a viver uma crise e há problemas bem mais importabntes para resolver. Ou não? Pensem lá, vá...

Miguel disse...

Antes «fundamentalista» (embora eu nunca tenha ouvido tal epíteto a quem cumpra a lei, mas enfim) do que mal-educado. Mas quanto a isso haverá pouco a fazer.
Mas sempre que alguém quiser fazer alguma coisa, mesmo que ilegal, basta vir falar com o nosso amigo Quim que ele logo diz se é apropriado ou não.

Anónimo disse...

Sabe o que aconteceu este fim de semana por causa de ignorantes como o senhor? 45 chamadas para os bombeiros devido a entupimento de sargetas e consequente inundação de casas. Só tenho pena que você não tenha sido um dos contemplados.
é que um papelinho meu caro senhor não é nada, agore imagine todos como você a fazerem o mesmo.

E termino com esta: conheço uma pessoa que me disse que no país que onde mora, as pessoas são tão ignorantes, que mandam lixo para o chão porque a justificação é que pagam para isso. agora repare no "são tão ignorantes"... serve a si que nem uma luva, não acha?

um fundamentalista cumpridor da lei (estranho conceito para si não?)

Quim disse...

Tá boa, um papel agora entope sarjetas! E vocês devem de ser todos uns santinhos, nunca atiram nada para o chão. A começar nos cigarros que fumam...

Miguel Cabeça disse...

Quim,

"Estou a falar em deitar um papel no chão. Um simples papel. Qual é o "grande problema"? Então eu não pago para a câmara limpar as ruas? É que voces esquecem-se que nem sempre há caixotes do lixo à mão. Vou fazer o quê? Andar com o lixo nos bolsos?"

Sim, é isso que eu faço. Se é um papelinho qual o problema de o meter nos bolsos e esvaziar quando encontrar um caixote? A mim não me custa nada. Tenho a certeza que a si também não. É uma questão de hábito.

"E volto a dizer: estamos a viver uma crise e há problemas bem mais importabntes para resolver. Ou não? Pensem lá, vá..."

Pode até haver problemas maiores para resolver mas se calhar estes problemas menores podem potenciar os tais problemas mais importantes. Dois exemplos:

- Automóveis estacionados em cima do passeio ou mesmo em cima de passadeiras (problema menor) podem potenciar perigo para crianças que se têm de desviar para a estrada e podem ser atropeladas e morrerem (problema maior).

- Lixo no chão (problema menor) pode potenciar sarjetas entupidas e criar cheias em edifícios com destruição de bens materiais (problema maior)

Como vê, pensei sobre isso.

Cumprimentos

Miguel Cabeça

Quim disse...

Miguel Cabeça, disse que se ia embora e afinal ainda está cá. Um papel não entope sarjetas, o que vocês andam a dizer é o cúmulo do exagero. Apesar do que diz a lei, atirar papeis para o chão não é bem ilegal, pois se não a polícia multava. Já viram a polícia multar alguém por atirar um papel para o chão? Eu também não. Era só o que nos faltava... Pior que o papel são as beatas que jogamos para o chão depois de fumar, mas isso, meus amigos, todos fazemos, porque já quase só se pode fumar na rua e não há cinzeiros nas ruas.
Quanto à criancinha e o carro no passeio, é muito simples, basta que a criancinha aprenda a ter cuidado, o que deve ser ensinado pelos pais... Mas isso...

Anónimo disse...

OK. Já deu para perceber pelas repostas. Este "Quim" está aqui apenas para destabilizar e provocar ou é mais um idiota sem formação e cultura. Por favor, por mais que vos doa, ignorem-no.

Quim disse...

Bom, então se não são capazes de discutir e de ouvir opiniões diferentes, adeus e até à próxima.

Miguel Cabeça disse...

"Quanto à criancinha e o carro no passeio, é muito simples, basta que a criancinha aprenda a ter cuidado, o que deve ser ensinado pelos pais... Mas isso..."

Estou estupefacto. Parabéns Quim, acabou de ganhar o prémio da distorção completa de valores.

Miguel Cabeça

Quim disse...

Para esse peditório já eu dei. Quando me dizem que os papéis entopem as sarjetas, está tudo dito! Quando vocês são incapazes de reconhecer que existe um grande problema de estacionamento que a Câmara tem de resolver, está tudo dito! Chama-se cegueira, mas enfim… Pior que o cego é aquele que não quer ver. Pois por mim vou continuar a estacionar onde posso. Até há próxima e Bom Natal. Que Deus vos Perdoe.

Miguel Cabeça disse...

Para esse peditório já eu dei. Quando me dizem que os carros em cima do passeio não incomodam ninguém, está tudo dito! Quando vocês são incapazes de reconhecer que o o grande problema de estacionamento que existe não é da responsabilidade da Câmara resolver, está tudo dito! Chama-se cegueira, mas enfim... Pior que o cego é aquele que não quer ver. Pois por mim vou continuar a estacionar um pouco mais longe de casa, onde posso legalmente. Até à próxima e Bom Natal. Que Deus vos Perdoe.