Números: 13 – Crescimento imparável do buraco da CP

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195 milhões de euros – Prejuízo anual da CP em 2010
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255 milhões de euros – Prejuízo anual da CP em 2011
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270 milhões de euros – Prejuízo anual da CP em 2012   (previsão do orçamento da CP para 2012)
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Fecham-se linhas, suprimem-se ligações, diminui-se a oferta, reduz-se pessoal, despreza-se a obrigação de serviço público, baixa-se a qualidade de serviço, aumenta-se o preço dos bilhetes e, apesar da consequente redução do prejuízo de exploração, o buraco financeiro da CP cresce ano após ano, imparável. O problema de fundo mantém-se. 
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Fontes:
- CP
- Revista do Grupo CP

17 comentários:

Maquiavel disse...

Podem pör ao lado desses números a indicaçäo do prejuízo operacional (e/ou a sua percentagem no prejuízo total)?

Obrigado!

Luís Lavoura disse...

O prejuízo cresce porque grande parte dele é pagamento de juros. Como a dívida cresce de ano para ano, os juros a pagar por ela também crescem.

(Isto é só uma hipótese que coloco. Será preciso verificar se é verdadeira.)

Como diz Maquiavel, o que é preciso é ver o prejuízo (ou lucro) primário, isto é, antes do pagamento de juros.

Ana disse...

De acordo com os dados de 2011 divulgados pelo Presidente da CP, o montante total dos prejuízos de exploração dos comboios da CP no ano que passou equivale apenas a 16,9% do prejuízo total anual da empresa.

Ana disse...

É verdade, Luís Lavoura, aí é que está o grande buraco da CP: o valor dos juros bancários cresce de ano para ano e vai voltar a crescer em 2012. Ver, a propósito, estes números.

Ana disse...

«aí é que está o grande buraco da CP»: o grande buraco, claro está, fora o prejuízo total acumulado, que este ano ficará próximo dos 4 mil milhões de euros.

Maquiavel disse...

Que é dos juros toda a gente já devia saber. O que eu quero saber é quanto se diminuiu o prejuízo por via de destruiçäo do serviço público, perdäo, "fecho de linhas deficitárias" e despedimentos.

Ana disse...

Se o número divulgado pelo Presidente da CP estiver correto, o prejuízo operacional da CP em 2011 foi 31 milhões de euros inferior ao de 2010. E para 2012 prevê reduzir mais 35 milhões de euros.

Pombal do Marquês disse...

O chamado «prejuízo operacional» é o prejuízo «saudável» da CP. A CP tem a obrigação de prestar o serviço público de transporte ferroviário e, sem prejuízo da necessidade de uma boa gestão, é normal, em qualquer país do mundo, que esse serviço dê prejuízo e que este seja coberto com o dinheiro dos nossos impostos, porque, entre outras coisas, é para isso que pagamos impostos. Aproximar esse prejuízo operacional do zero, como quer fazer a CP, não é necessariamente um bom sintoma. Poderia ser um bom sintoma se, por exemplo, a CP tivesse um lucro grande num serviço de longo curso próspero e esse lucro compensasse o prejuízo dos serviços regionais e suburbanos. Mas não é isso que sucede. No caso português, é um sintoma péssimo, porque é a consequência de um serviço mais reduzido e de pior qualidade, conjugado com um aumento brutal dos preços.

Aumentando ainda mais os bilhetes e os passes nas zonas suburbanas, por exemplo, à custa de quem não tem outra alternativa de transporte, a CP até conseguirá chegar ao lucro operacional.

Entretanto, continuam a atirar-nos areia para os olhos, porque a asfixia financeira da CP não está aí, mas na dívida astronómica e nos encargos financeiros que são uma autêntica corda à volta do pescoço da empresa.

Fernando Paulo disse...

Oh Pombal, as empresas públicas têm de dar lucro como qualquer empresa privada, se não derem então são financeiramente insustentáveis e têm de ser fechadas. Chega de sugarem o nosso dinheiro.

João Véstia disse...

Fernando, a recolha do lixo orgânico, por si só, nunca deu lucro. Larga-se essa actividade, esperando que os privados peguem nela? Há, com certeza, municípios em que a recolha do lixo é feita por empresas privadas, porque o orçamento da autarquia tem lá o quinhão para pagar o lucro dessa empresa...

Luís Lavoura disse...

(Em milhões de euros)

Se a CP teve em 2011 um prejuízo de 255, do qual 16,9% foi prejuízo operacional, conclui-se que o prejuízo operacional foi de apenas 44. Se em 2012 a CP tenciona reduzir o prejuízo operacional em 35, conclui-se que o prejuízo operacional em 2012 será de apenas 9. Ou seja, a CP estará muito perto de ficar equilibrada. O que é muito bom sinal.

Pombal do Marquês disse...

O meu comentário de ontem era precisamente dirigido a pessoas como o Luís Lavoura, que acham que a eliminação do prejuízo operacional da CP é, por si só, um "bom sinal".

bicicleta disse...

Exacto. No limite, a CP fechará todas as linhas deficitárias (que imagino serem todas menos a ligação lisboa - porto) e até passará a ter lucro operacional. Depois, quem não tiver dinheiro para ter carro (que serão, a prazo, uma boa parte dos portugueses), vai de carroça.
RF

Joao disse...

Aqui, o que realmente interessa é fechar as linhas todas. O resto? O resto é conversa.

Joao disse...

Cá em Portugal, parece que a ideia é seguir o exemplo do Brasil... onde existe comboios de carga (rentável) e praticamente não existe serviço de transporte de passageiros, e os muito poucos existentes, é por obrigação contratual e as empresas não parecem nada interessadas em expandir a rede. E mesmo assim sugerem que se chegue 45 minutos antes para a partida do comboio... nem em Portugal que parece país do terceiro mundo é assim.

A razão no Brasil parece ser que lá era dada prioridade aos comboios de mercadorias, e acontecia coisas do género... esperar 2 horas para passar um comboio de mercadorias, com a estação de passageiros a 10 minutos... claro que assim não é viável em lado nenhum manter serviços de passageiros... para além do enorme investimento na recuperação das linhas para serviço de passageiros.

Algo me diz que as empresas de automóveis, aviação e relacionadas mantêm a pressão para que não se construa/ renove / utilize as vias férreas de lá para passageiros... afinal de conta chega a ser 50% mais barato de comboio e mais rápido por vezes.

Ainda pensava eu que era só em Portugal... se no Brasil não é rentável (ou não parece ser) manter serviço de passageiros... e é um continente inteiro praticamente, onde é que será viável?

Maquiavel disse...

Onde é que será viável?
No continente alemäo, austríaco, beneluxiano, francês, nórdico, entre outros mais distantes.

Ina bem, tantos continentes!

Joao disse...

Mesmo nesses, o serviço de passageiros, será viável? Ou é o de carga que mantêm o "serviço de passageiros" viável?
Repare que não estou a afirmar nada, estou só mesmo a questionar, à falta de dados concretos. No Brasil o serviço de mercadorias parece ser rentável, o de passageiros de tal forma não é, que só duas ou três linhas são exploradas e aparentemente por obrigação contratual sem que exista qualquer vontade de expansão apesar da enorme quantidade de potenciais clientes.