Circular em cadeira de rodas em Oeiras (17)

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RUA MARQUÊS DE POMBAL
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Não se pode dizer que, para os peões – e, designadamente, para aqueles que se deslocam em cadeira de rodas –, esta pequena e muito movimentada artéria central de Oeiras comece bem. Iniciamos a sua subida pelo passeio Sul e, logo no início, um sinal (de colocação muito recente) alinhado com um enorme painel camarário (permanente), reduzindo drasticamente a área útil do passeio…
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…não prenunciam nada de bom.
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Logo depois, qualquer veículo que estacione no passeio bloqueia facilmente a passagem de uma cadeira de rodas:
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Poucos metros à frente, o sinal de zona 30, com a indicação “prioridade ao peão”…
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…faz-nos imaginar um centro de Oeiras onde os veículos automóveis não podem circular a mais de 30 km/h e onde os peões têm prioridade sobre os automóveis. Na realidade, porém, a zona 30 e a “prioridade ao peão” só existem ao longo de alguns metros (na imagem anterior é possível ver, ao fundo – acima de um sinal de proibição de parar e estacionar –, o sinal que marca o fim dessa prioridade). A imagem anterior também permite perceber o motivo da “prioridade ao peão”: logo a seguir ao sinal, o passeio acaba e o peão só pode circular na faixa de rodagem.
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Na prática, a “prioridade ao peão” é apenas virtual. Testámos inúmeras vezes o cumprimento dessa obrigação de prioridade por parte dos condutores e o resultado foi demolidor: nenhum condutor parou para nos deixar passar (essa era, aliás, também a nossa experiência anterior). Numa rua de trânsito intenso, os peões têm de esperar que não venham veículos para poderem prosseguir caminho.
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Por vezes, e em maior consonância com a realidade das coisas, o sinal de “prioridade ao peão” encontra-se virado, não sendo visível pelos condutores:
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A situação complica-se, naturalmente, quando o peão se desloca em cadeira de rodas. De resto, a seguir ao local onde o passeio desaparece, obrigando os peões a transitar na faixa de rodagem, estes podem regressar ao (estreito) passeio:
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Mas como é percetível nesta imagem, as pessoas deslocando-se em cadeiras de rodas não o conseguem fazer.
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De seguida surge um cruzamento, mas nem mesmo a seguir a esse cruzamento pode a cadeira de rodas voltar a circular no passeio: logo depois, surge um novo local onde o passeio desaparece e o peão tem de circular na faixa de rodagem:
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Logo a seguir, o impensável: o passeio reaparece, mas a autarquia transformou-o num parque de estacionamento automóvel para cargas e descargas (e isto junto a uma passadeira!):
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Quando há veículos estacionados neste passeio (o que acontece com frequência, e muitas vezes para outros fins que não o de cargas e descargas), muito dificilmente uma cadeira de rodas consegue passar.
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Quando termina a “prioridade ao peão”, surge um novo estrangulamento no passeio, através do qual nenhuma cadeira rodas passa:
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Segue-se um passeio estreito, impróprio para a circulação de cadeiras de rodas, que vai alargando ligeiramente até ao final da rua, no cruzamento com a Rua Cândido dos Reis, onde atinge a largura máxima de cerca de 1,1 metros.
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O passeio Norte começa com uma largura de dois metros…
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…mas que vai reduzindo progressivamente até se atingir uma largura de sessenta e poucos centímetros, delimitada por pilaretes, onde as pessoas que se deslocam em cadeira de rodas são excluídas…
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…e onde ainda se teve a falta de bom senso de se colocar sinais de trânsito, diminuindo ainda mais a largura útil do passeio:
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No segundo (e último) quarteirão desta pequena rua, o passeio é um pouco menos estreito, mas sempre com largura inferior a 1,2 metros (parte dele é, de resto, suficientemente estreita para impedir a circulação de uma cadeira de rodas).
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A Rua Marquês de Pombal tem três passadeiras. Uma delas está ao nível do passeio, embora a autarquia tenha cometido o disparate de autorizar estacionamento automóvel junto a ela…
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…e nas outras duas a altura do lancil do passeio excede o máximo admissível.
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Conclusão: rua não acessível.
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Mobilidade pedonal em geral: não é necessário referir em especial os casos dos invisuais, dos idosos e dos pais com carrinhos de bebé – para qualquer peão é difícil percorrer esta rua pelo passeio Sul, e o risco de atropelamento é bem real se o peão confiar no sinal de “prioridade ao peão”, sendo de salientar que passam aqui muitos veículos pesados, e a circulação faz-se frequentemente a velocidades perigosas para um local de "prioridade ao peão". A coisa melhora no passeio Norte, mas nos locais onde o passeio é muito estreito alguns carrinhos de bebé não passam, e há sítios onde só passa um peão de cada vez (no cruzamento de peões, um dos peões tem de ir para a faixa de rodagem). Há pelo menos dois locais onde, se o peão circular com um guarda-chuva aberto e ao lado passar um veículo pesado, o guarda-chuva será levado pelo veículo.
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(continua)
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Circular em cadeira de rodas em Oeiras (16)

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AVENIDA CARLOS SILVA
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A Avenida Carlos Silva é a maior de todas aquelas que analisámos. Percorremo-la primeiro pelo passeio Norte (de três troços) e depois pelo passeio Sul (de oito troços), em ambos os casos no sentido ascendente.
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Passeio Norte. Junto ao cruzamento com a Avenida Miguel Bombarda, existe um pedaço de passeio com largura suficiente para ser diariamente transformado num "parque de estacionamento selvagem":
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Quando se entra na Avenida Carlos da Silva propriamente dita, o passeio tem uma largura de cerca de 1,7 metros. Mas várias árvores ao longo deste quarteirão reduzem significativamente a sua área útil e impedem a circulação de cadeiras de rodas. Ao lado, lugares de estacionamento automóvel.
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O segundo troço do passeio - o mais longo, entre a Rua José Falcão e a Avenida dos Aliados –, também ladeado por lugares de estacionamento,
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[Há sempre espaço para os automóveis]
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tem uma largura que varia pouco, entre 1,7 metros e 1,9 metros. O cenário não é diferente do quarteirão anterior: o passeio está cheio de obstáculos, logo desde o início do quarteirão…
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…e a circulação em cadeira de rodas é impossível. Em alguns casos, a largura de passeio livre de obstáculos não chega a atingir 40 cm.
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O cenário não muda até ao fim do longo quarteirão. Às árvores que se interpõem no nosso caminho acrescem caixotes de lixo depositados no passeio e postes e sinais implantados quase no meio do passeio…
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…e em alguns locais arbustos particulares invadem o já diminuto espaço útil do passeio:
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Aqui, no final do quarteirão, a rua tem dois sentidos de trânsito, havendo bastante espaço para a circulação automóvel – a única coisa que verdadeiramente parece interessar.
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Na passagem para o terceiro e último troço de passeio, a altura do lancil do passeio no enfiamento da passadeira é uma barreira para as cadeiras de rodas. No outro lado (início do terceiro quarteirão), a infeliz disposição dos pilaretes de pedra colocados no passeio, em relação à passadeira, constitui mais uma barreira:
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O que nos aparece a seguir é um passeio com uma invulgar largura, que chega a atingir cerca de 15 metros.
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Dois estrangulamentos são visíveis nesta última imagem. O primeiro resulta de degraus colocados no passeio, sendo que o espaço de passeio sobrante só é suficiente para a passagem de uma cadeira de rodas se as dianteiras ou traseiras dos carros estacionados não invadirem o passeio (mas sabemos que, infelizmente, não é essa a regra).
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No caso contrário, os degraus são obstáculo suficiente para impedir a circulação da cadeira de rodas sem ajuda – o que não deixa de ser caricato num passeio largo.
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O segundo estreitamento, apesar de disparatado…
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…não obsta, em princípio, à progressão de uma cadeira de rodas.
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A seguir, o passeio continua largo ao longo de algumas dezenas de metros:
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Pequenos inibidores de pedra vão impedindo que este espaço pedonal seja invadido pelo estacionamento automóvel. Mas é de temer o pior: muitos dos pilaretes têm sido derrubados pelos automobilistas…
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…e parece ser apenas uma questão de tempo até que a invasão automóvel alastre pelo resto do passeio.
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Passado este invulgar regabofe de calçada, a largura do passeio diminuiu drasticamente para 1,9 metros…
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[Sendo que a entrada neste último subtroço de passeio está frequentemente barrada pelo estacionamento ilegal, bem à vista da PSP de Oeiras, umas dezenas de metros mais à frente:]
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…e várias árvores impedem a passagem de cadeiras de rodas.
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A rua continua, aqui, a ter dois sentidos de trânsito.
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Percorrer a Avenida Carlos Silva pelo passeio Sul implica atravessar oito quarteirões e a primeira barreira à mobilidade em cadeira de rodas constitui, precisamente, a passagem entre quarteirões: mais uma vez, a altura dos lancis dos passeios é, em regra, um obstáculo.
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No primeiro quarteirão, o passeio tem entre 1,2 metros e 1,8 metros, mas logo neste início de avenida…
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…começam os obstáculos que reduzem a sua largura útil a menos do que 1,2 metros (sinais, postes, papeleiras, árvores…), incluindo contentores de lixo e uma mota cuja obstrução do passeio é tão frequente que, na prática, já quase se tornaram obstáculos de carácter permanente:
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No segundo lanço de passeio (com uma largura de cerca de 1,9 metros), repete-se, logo no início, a presença de contentores de lixo, estes “estrategicamente” colocados no enfiamento de uma passadeira,  dificultando, pois, duplamente a mobilidade pedonal:
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Passados os "generosos" contentores que impedem a passagem de qualquer cadeira de rodas, duas árvores (a que se juntam algumas covas no passeio) completam o cenário de inacessibilidade.
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Avançamos para o terceiro quarteirão (com a sorte de não nos deslocarmos em cadeira de rodas) e pouco muda. A largura de passeio é agora de 1,8 metros, mas continua a ser ilusória, pela presença de sinais, postes e árvores a diminuir a largura útil. Três árvores são suficientes para impedir a circulação de cadeiras de rodas.
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No quarto quarteirão, o cenário não melhora: pelo contrário, piora. Várias árvores impedem a circulação de cadeiras de rodas…
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…e o passeio é bastante irregular, com buracos, pedras soltas e ainda uma grande depressão (ideal para fazer cair invisuais ou pessoas idosas):
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Avançamos para o quinto quarteirão. O passeio continua a ter a mesma largura virtual (1,8 metros) e as árvores continuam a obstruir a passagem – uma delas no enfiamento de uma passadeira.
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O sexto quarteirão, que tem uma largura de 1,8 / 1,9 metros, distingue-se dos restantes por não ter árvores. Postes e sinais deixam uma largura livre de passeio de cerca de 1,3 metros, suficiente, portanto, para a circulação de cadeiras de rodas, mas, mais uma vez, buracos no chão e pedras soltas dificultam-na.
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No sétimo quarteirão, o passeio mantém os 1,8 metros de largura. A calçada está num estado deplorável e multiplicam-se os obstáculos…
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…mas, mais uma vez, são sobretudo as árvores que impedem a circulação de cadeiras de rodas:
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No oitavo e último quarteirão, o passeio tem cerca de 1,7 metros de largura, mas isto sem contar com barreiras como postes, caixas de energia e, mais uma vez, várias árvores, que chegam a reduzir a largura útil de passeio a menos de 30 cm.
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A Avenida Carlos Silva fornece alguns exemplos de como é perfeitamente possível rebaixar impecavelmente o passeio ao nível da passadeira:
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Esta longa avenida tem nove passadeiras. Em nenhuma o lancil do passeio excede muito o máximo admissível. Mas só em três das nove passadeiras é que esse máximo não é excedido de ambos os lados do passeio. E nestas três estamos a incluir, por favor, uma passadeira relativamente à qual nunca chegámos a conseguir medir o lancil do passeio Sul (no passeio Norte, o lancil tem menos de 2 cm): em várias visitas ao local, estava sempre alagado.
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Conclusão: rua parcialmente acessível.
Seis das nove passadeiras chumbam.
Não é possível circular de uma ponta à outra da avenida em qualquer dos passeios.
Dos onze troços de passeio, só no sexto troço do passeio Sul é que uma cadeira de rodas poderia circular (com dificuldade, devido ao estado do pavimento).
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Mobilidade pedonal em geral: em muitos locais de qualquer dos dois passeios, pais com carrinhos de bebé têm de ir para o asfalto. Constantes obstáculos no passeio tornam-no um inferno para os invisuais. Muitas irregularidades na calçada, incluindo buracos e pedras soltas, são meio caminho andado para quedas, nomeadamente de idosos e de invisuais. Mesmo peões sem quaisquer problemas de mobilidade acabam por ter de circular na faixa de rodagem em vários locais. São numerosos os locais onde não é possível o simples cruzamento de peões ou a passagem de um peão com um guarda-chuva aberto.
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(continua)
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