A situação era reconhecidamente incomportável: era o seguro do carro, o imposto único de circulação, as portagens da auto-estrada, o estacionamento pago onde quer que se vá, a revisão anual, a mudança do óleo e das escovas do pára-brisas, a conta da oficina quando há azar, as lavagens, os combustíveis mais caros do que nunca... e - imagine-se o desplante! - os automobilistas escalabitanos ainda tinham de pagar dois euros e oito cêntimos por mês
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[Onde é que isto vai parar?!]
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para terem o desejado dístico de residente que lhes conferia o direito de pôr o querido carrinho na via pública 24 horas por dia. Sete cêntimos por dia. O dístico para os forasteiros que vão todos os dias para o trabalho de popó era ainda mais caro: dois euros e meio por mês, oito cêntimos por dia [um escândalo!]. E o dístico para os estabelecimentos comerciais só estava ao alcance dos afortunados, quase atingindo a barreira mítica dos três euros mensais (dois euros e noventa e um cêntimos), quase dez cêntimos por dia.
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Perguntará - e com toda a razão - o leitor: e com esta crise toda agora dos cortes e mais não sei o quê onde é que as pessoas vão desencantar dois euros e tal por mês para pagar o estacionamento do popó? Só se quiserem que as pessoas deixem de comer!
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Mas a Câmara Municipal de Santarém estava atenta. E embora a assistência social aos desfavorecidos seja uma incumbência do Estado, a autarquia escalabitana não quis deixar os desgraçados automobilistas ao Deus dará e, em Outubro, aprovou um Programa de Apoio Social ao Estacionamento, para vigorar a partir de 1 de Janeiro deste ano, que se traduz na atribuição, aos pobres coitados possuidores de veículo automóvel [do pequeno utilitário ao automóvel de luxo, que isto da solidariedade é para todos], de um subsídio de valor igual ao da taxa de estacionamento. Um subsídio muito mais fácil de obter do que um subsídio de apoio escolar e que custa aos cofres públicos mais de 200 mil euros por ano, sensivelmente o dobro do valor anual total atribuído pela autarquia a título de subsídios de acção social escolar.
É, pois, com inteiro merecimento que o Prémio Solidariedade Social (do Império do Automóvel) 2011 é atribuído pelo blogue A Nossa Terrinha à Câmara Municipal de Santarém. Num ano de profunda crise, de desemprego galopante e de sucessivos cortes nos apoios sociais, este novo apoio social concedido pela Câmara Municipal de Santarém assume particular significado. Bem hajam. Ficamos esperançadas na aprovação, pela autarquia, de medidas para fazer face ao drama dos agregados familiares com dois, três ou mais automóveis e que têm, por isso, de fazer face a encargos acrescidos.
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Nota: foi propositadamente, e não por esquecimento, que não fizemos referência às dificuldades com que também se debatem as pessoas extremamente ricas: esse outro drama já foi denunciado na televisão (se o assunto o preocupa, veja aqui o pequeno vídeo).


6 comentários:
Mais recentemente, foi feita uma campanha nacional também de apêlo às dificuldades dos mais ricos - e a avaliar pelas notícias desta semana, já trouxe resultados: http://www.youtube.com/watch?v=kE07F-1N95o
Um prémio muitíssimo bem entregue, tenho pena é de que seja entregue à minha cidade!
Aposto que o Moita Flores (TBC "Moita das Festas") vai fazer mais uma festa na cidade a celebrar este prémio...
Acho muito bem que deem este subsídio. Afinal é muito mais importante do que subsidiar o cartão 4_18, a saúde ou a alimentação.
PALHAÇOS!
Tal como já aqui fiz notar, este não é de facto um subsídio aos automobilistas, mas sim uma forma indireta de subsidiar a empresa privada a quem o estacionamento - tanto à superfície como subterrâneo - foi concessionado em Santarém.
Em relação à situação de há um ano atrás, em que não havia este subsídio mas o estacionamento à superfície era gratuito, os automobilistas não ficaram a ganhar nem a perder. Quem ficou a ganhar é a empresa, que dispõe agora de uma grande clientela fixa e que não protesta.
Luís Lavoura, não é verdade que há um ano o estacionamento à superfície fosse gratuito. Era pago e continuou a ser pago pelos automobilistas até ao final do ano. O que significa que a «clientela fixa» já existia e, ainda que pudesse protestar, ninguém deixaria de estacionar e de pagar o respetivo dístico (dois euros e tal por mês). O subsídio é, de facto, pago aos automobilistas. A concessionária continua a receber o mesmo.
Realmente era uma vergonha pagar pelo dístico que a câmara se lembrou de criar depois de aprovar os lugares, pagos, claro! Deveria pagar aos residentes pelo tempo que perdem por causa destas mariquices, mas enfim, isto é a república das bananas.
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