20 anos depois, nova sangria na ferrovia - Parte VIII

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© 2012 Joana Ortigão
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Os comboios de passageiros já não circulam nos 146 quilómetros da Linha do Leste entre Abrantes e Badajoz, sem que tenham sido criadas alternativas de transporte público. Excetuando a notícia - num blogue de Arronches - de uma ação de protesto de um grupo de cidadãos de Arronches e Monforte, realizada no apeadeiro de Arronches na manhã de 31 de Dezembro, e de uma mini-reportagem fotográfica de seis fotografias tiradas na estação de Elvas e publicadas no Sapo, o triste acontecimento praticamente não foi digno de notícia neste país.
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O país está mais pobre.
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Na Linha do Alentejo, também já não circula o comboio entre Beja e Funcheira (Linha do Sul). A quem quis viajar nessa linha no último dia de circulação (31 de Dezembro), a CP ofereceu a má surpresa da supressão de todos os comboios, à semelhança do que fez nesse dia noutras ligações ferroviárias, num conjunto de supressões decididas pela empresa transportadora com o único argumento de ser «por ocasião do feriado de ano novo» (por sinal, um período de férias para muita gente).
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Algumas das dezenas de supressões de comboios em 31 de Dezembro de 2011.
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No Alentejo, a maior região do país, os comboios regionais aindam circulam num pequeno troço de 37 quilómetros da Linha do Alentejo entre Vila Nova da Baronia e Beja (dois comboios por dia, só nos dias úteis). Tudo o resto desapareceu.
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10 comentários:

Luís Lavoura disse...

No Alentejo, a maior região do país

O tamanho da região é irrelevante. O que interessa é a densidade de pessoas dispostas a utilizar o comboio (pagando bilhete!). É normal que numa região de muito fraca densidade populacional, por maior que ela seja, não haja comboios.

Jorge disse...

Esse comboio das cinco e meia da madrugada devia dar um jeitão a muita gente. Custa a perceber porque é que o comboio não tinha passageiros. E a única alternativa era um comboio ao fim da tarde. Pois eu sempre que andei na linha do Leste a horas decentes, o comboio ia com muita gente. O que não joga bem com a teoria do Luís Lavoura.

Paulo disse...

Sim, Portugal está mais pobre, nomeadamente o Alentejo, e sua população com pior qualidade de vida. Desde o dia 1 de Janeiro qualquer pessoa do distrito de Portalegre terá de se deslocar de modo rodoviário para qualquer destino do país com todos os custos inerentes. As viagens, sobretudo para o norte e centro do país, demorarão mais tempo e custarão mais caro. A título de exemplo, quem de Portalegre se deslocar para Coimbra fará uma viagem que lhe custará 25 euros e terá uma duração no mínimo de 5:40 H, enquanto de comboio o tempo de viagem era de cerca de 3:30H com um custo bem menor.
Infelizmente as notícias acerca do encerramento não foram muitas, contudo ocorreram várias acções de luta contra este encerramento em Portalegre, Elvas, Beirã e Valência de Alcântara promovidas por sindicatos, associações ambientalistas e por movimentos cívicos portugueses e espanhóis (portugueses: União de Sindicatos de Portalegre, Quercus-Portalegre, Grupo de Amigos da Ferrovia Norte Alentejana). A SIC e a RTP, assim como jornais locais e regionais noticiaram várias destas acções, que infelizmente não produziram o efeito desejado, pois estamos perante um Governo que gere o país de forma contabilística.

Paulo

Pedro disse...

Em Portugal desde os tempos do Sr. Cavaco Silva quase que se podia adoptar um lema:
"Ano Novo, Supressões novas" é mesmo triste ver isto!

Luís Lavoura disse...

Jorge, eu não tenho "teoria" nenhuma. Só disse que o tamanho do Alentejo é irrelevante para este efeito.

Luís Lavoura disse...

Aliás há uma coisa no Alentejo que favorece o comboio: o facto de a população estar muito concentrada em povoações, ao contrário daquilo que acontece no Norte, onde a população habita mais dispersa.

Luis Ramos disse...

Este assunto teve pouca cobertura mediática por duas razões:
1) Trata-se de comboios e como tal ninguém quer saber;
2) É no interior do país onde supostamente não mora ninguém.

Se fosse um despiste de um camião na 2ªCircular, ou o assalto a um multibanco certamente teria direito a directos e à abertura dos noticiários.

madeinlisboa disse...

"pois estamos perante um Governo que gere o país de forma contabilística"
Eu diria que o gere de forma AUTOmobilística.

Paulo disse...

eh...eh... Concordo, madeinlisboa!

Paulo

Joao disse...

Sim, o comboio está praticamente morto em Portugal. O governo quer acabar com a CP e afiliadas que dão prejuízos de dezenas de milhares de milhões! Quando havia dinheiro era uma coisa, agora que o país se andou a endividar à maluca com os empréstimos que irá ter uns juros doidos, tem de se cortar em algum lado, e quase toda a gente tem carro, por isso que o utilizem.

Por isso toca a comprar carro (os poucos que ainda não tiverem).